Coluna do Renilton Barros: Linha, anzol, isca e sorte
Com a chegada no dia 9 de julho, já programamos uma viagem ao Ipiranga para o dia seguinte. Era uma volta às origens.

Coluna do Renilton Barros
(TB de 28ago2026)
Linha, anzol, isca e sorte.
Com a chegada no dia 9 de julho, já programamos uma viagem ao Ipiranga para o dia seguinte. Era uma volta às origens.
Foram momentos de pura nostalgia. Resgatamos lembranças, embora poucas, na verdade, em razão do ano em que saímos de lá, no final de 1978. Fizemos um rápido giro pelas casas dos conhecidos, passamos pela antiga residência e retornamos por volta do meio-dia.
Na programação, havia um almoço no Guajajara, às margens do Rio Corda, sob uma refrescante brisa contrastando com o calor característico dessa época do ano.
Após o almoço, fizemos uma rápida descida até a confluência dos dois rios. Ao chegar ao local, vi um senhor pescando à margem do Rio Mearim. No balde ao seu lado, havia uma sardinha e duas piabas “largas”.
Não pude conter o desejo de lançar linha, anzol e isca para ver o que ainda poderia tirar das águas barrentas do Mearim, uma vez que, nos fins de semana da década de 1980, a pescaria era certa, ora de cima da Ponte Nova, ora descendo até o matadouro.
Perguntei àquele senhor se poderia pescar um pouco com um carretel que ele tinha como reserva. A resposta afirmativa me deixou empolgado. Eu só esperava não ter a frustração de não pegar nada.
A sorte estava lançada e não demorou muito para que eu começasse a pescar sardinhas e piabas. Mas, como em toda boa pescaria, não poderiam faltar os contratempos, a linha afundou e ficou enganchada.
O sentimento de decepção tomou conta de mim e, diante da possibilidade de mergulhar para retirar o anzol, fui de um lado para o outro até que ele finalmente o anzol se desprendeu.
Não sei ao certo quantos peixes pesquei, mas, pelo semblante alegre daquele senhor, percebi que a janta estava garantida, ou pelo menos o complemento da mesma.
Despedi-me e agradeci pela oportunidade, e quando estava enrolando o carretel de linha, ele me interrompeu:
— Não precisa enrolar. Vou ficar com a sua linha e guardar a minha.
Acreditando ser sorte do carretel, imaginei o que se passava na mente daquele senhor: - É melhor ficar com o "time" que está ganhando, ou melhor, pescando, do que não pegar mais nada.
*Renilton Barros é escritor barra-cordense, mora no DF
