Coluna do Wellisson Lopes: Quando você pega uma caneta nova, qual é o seu ritual para testá-la?
Alguns riscam loucamente. Outros escrevem um nome, seu ou de quem amam, e depois o cobrem. Alguns escolhem alguma palavra. A minha, intuitivamente, é sempre “amanhã”. Acho-a linda, subjetiva, inquieta e “envelhecível”.

Coluna do Wellisson Lopes
(TB de 15set2026)
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Quando você pega uma caneta nova, qual é o seu ritual para testá-la?
Alguns riscam loucamente. Outros escrevem um nome, seu ou de quem amam, e depois o cobrem. Alguns escolhem alguma palavra. A minha, intuitivamente, é sempre “amanhã”. Acho-a linda, subjetiva, inquieta e “envelhecível”.
Há uns anos li algo que alterou a “química do cérebro”, como dizem os adolescentes. Um poema de Alberto Caeiro (lê-se Fernando Pessoa) que diz: “se eu soubesse que amanhã morria e a primavera era depois de amanhã, morreria contente porque ela era depois de amanhã”.
É uma ideia curiosa. Caeiro sorri para a morte, pois ela virá e tudo continuará absurdamente lindo. E, não satisfeito, termina dizendo que “a realidade não precisa de mim”.
Que constatação linda e difícil, né? Ninguém é eterno.
Meus bisnetos, talvez, não saberão meu nome, assim como não sei os nomes dos meus bisavós. Mas talvez, um dia, beijem debaixo da mesma árvore em que beijei. As primaveras virão, como virá a próxima, daqui a uma semana. E alguém, em algum lugar, daqui a algumas primaveras, inaugurará uma caneta e escreverá, sem saber exatamente por quê, a palavra “amanhã”.
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*Wellisson Lopes é professor e poeta, formado em Letras, mora em Barra do Corda (MA)
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