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Coluna da Giselle Pacheco: Aos 47, o mar me ensinou sobre a vida

Há aniversários que cabem em um bolo. Outros precisam de um barco inteiro.

Giselle Pacheco é professora e escritora, mora em São Luís
Giselle Pacheco é professora e escritora, mora em São Luís

Coluna da Giselle Pacheco

(TB de 31ago2026)

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Aos 47, o mar me ensinou sobre a vida

Há aniversários que cabem em um bolo. Outros precisam de um barco inteiro.

Meu aniversário de 47 anos só chega neste 31 de agosto, mas felicidade não espera o calendário. No dia 22, na cidade de Raposa (MA), realizei um desejo antigo: sempre sonhei comemorar meu aniversário em alto-mar. Ao lado do meu namorado, que fez aniversário no dia 8, transformamos o sonho em celebração.

Reservamos um barco exclusivo, estilo iate, só para nós. E ele partiu levando pedaços da minha história.

Ali estavam amigos da Escola Modelo, do trabalho e pessoas especiais que vieram de Barra do Corda: meu primo Marcelo Pacheco, minhas amigas Oneide e Edivana e minha mãe, trazendo aquele amor que atravessa qualquer distância. Também estavam os amigos do meu namorado. Aos poucos, já não havia “os amigos dele” e “os meus”. Havia apenas nós.

E havia o mar.

Imenso, azul, fazendo a gente diminuir os problemas e aumentar a gratidão. Navegamos e paramos na Croa do Marisco, no Criatório de Ostras, nas Dunas da Praia do Carimã e na Praia do Curupu. Lugares paradisíacos, onde mergulhamos, rimos e deixamos o tempo passar sem pressa.

A bordo, churrasco, drinks, sobremesas e música. Mas a verdadeira festa estava nos abraços, gargalhadas e na alegria de reunir pessoas tão especiais.

Olhando ao redor, pensei que fazer 47 anos talvez seja compreender que a idade não se mede apenas pelo tempo, mas pelos encontros e pelas pessoas que ajudam a construir quem somos.

Eu não celebro apenas 47 anos. Celebro a menina que fui, a mulher que me tornei, os caminhos que me trouxeram até aqui e o privilégio de ter com quem dividir a travessia.

Naquele 22 de agosto, navegando pelas águas da Raposa, parecia que o mundo inteiro cabia ali. Talvez felicidade seja isso: olhar ao redor e reconhecer a própria vida em cada rosto.

O passeio terminou, mas eu voltei diferente. Aos 47, entendi que algumas viagens não nos levam a um lugar. Levam a nós mesmos.

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*Giselle Pacheco é professora e escritora, mora em São Luís (MA)

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