Coluna do Wilson Leite
No final dos anos 50 e início de 60, no povoado Barro Branco, chegavam caravanas e mais caravanas de retirantes vindos do Ceará, fugindo da seca.

Coluna do Wilson Leite (TB de 17ago2026) _____ No final dos anos 50 e início de 60, no povoado Barro Branco, chegavam caravanas e mais caravanas de retirantes vindos do Ceará, fugindo da seca.
O Dr. Eliézer Moreira, administrador da Colônia Agrícola [Incra], para abrigar todo esse povo construiu dois grandes barracões, com uns 30 metros de comprimento cada, cobertos de palha.
Como na região do Barro Branco não tem babaçu, as palhas eram tiradas nos cocais do Centro dos Protestantes. Os moradores de lá tiravam palhas aos milheiros e os carros da colônia iam buscar.
No primeiro momento essas famílias se agasalhavam nesses barracões, depois começaram entrar na mata para botar suas roças no Centro do Meio, Centro do Zé Antônio, Lagoa Comprida e outros.
Como trabalhadores que eram, não demorou muito tempo estavam com seus paióis cheios de legumes.
No Centro do Meio, a terra era muito produtiva, mas não havia água, as pessoas iam buscar há 2 léguas de distância somente para beber e cozinhar.
Desse modo não havia banho, somente as mulheres, à tardinha depois do labor da roça, tinham direito a uma caneca d'água para tomar seu banho.
Elas pegavam essa caneca d'água e uma pequena rodilha que iam encharcando na água e passando no corpo.
Já o banho dos homens era só no final da semana, quando iam ao Barro Branco.
O Joaquim, um garoto de meu tope, filho de uma dessas famílias, muito inteligente, fazia vários tipos de armadilhas para pegar pássaros.
Nós nos tornamos amigos e com ele aprendi a fazer algumas armadilhas também. Pegávamos rolinhas, lambu, juriti, até rato caia em nossas armadilhas.
Voltando ao banho, eu achava até bom sem banhar, porque lá na mata era um frio de lascar... Que Deus seja louvado! _____
*Wilson Leite é historiador, mora no Sítio dos Ingleses em Barra do Corda (MA) _____
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