Francisco Brito é poeta e escritor.
Francisco Brito é poeta e escritor.

Poeta Brito escreve

Entre Rios e Memórias: Barra do Corda, 191 anos de história

Homenagem

Barra do Corda 191 anos

(TB de 29abr2026)

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*Poeta Brito escreve:

Entre Rios e Memórias: Barra do Corda, 191 anos de história

Há cidades que não cabem no mapa. Vivem mais na memória do que na geografia, mais no peito do que no papel. Barra do Corda é dessas.

Quando maio se aproxima, trazendo o sopro antigo das datas que importam, a cidade parece se ajeitar melhor à própria história. São 191 anos - mas quem conta assim não entende: Barra do Corda não tem idade, tem raízes. E raízes profundas, fincadas antes mesmo da idealização de Manoel Rodrigues de Melo Uchôa, no ano de 1835, no chão ancestral dos povos Guajajaras e Canelas, que ensinaram à terra o sentido de pertencimento.

Ali, onde os rios Corda e Mearim se encontram como velhos amigos que nunca se despedem, correm mais do que água. Corre o tempo. Corre a infância de quem aprendeu a nadar em suas margens, os segredos levados pela correnteza, as promessas feitas ao entardecer. Os rios são testemunhas silenciosas - e, talvez, os mais fiéis cronistas dessa história. Chão de poetas e trovadores, que encantam e caminham com a beleza natural de sua gente.

E há também o que não se escreve nos livros: o riso fácil, o convite aberto, a festa que começa sem hora para acabar. Porque o povo cordino tem esse dom raro - o de acolher como quem já conhece, de celebrar como quem agradece.

Em cada balneário, em cada cachoeira escondida entre pedras e matas, existe um pedaço dessa alegria que não se explica, apenas se vive.

Hoje, com seus cerca de 85 mil habitantes, Barra do Corda segue sendo mais do que números. É encontro. É herança. É continuidade. É o passado que não ficou para trás, mas caminha ao lado, de mãos dadas com o presente.

E assim, ao completar mais um aniversário, a cidade não apenas soma anos — ela renova sentidos. Porque há lugares que não envelhecem: amadurecem. E Barra do Corda, com sua história tecida entre rios, povos e sonhos, continua a ensinar que pertencer é, antes de tudo, lembrar de onde se veio… e seguir, com orgulho, para onde se quer ir.

Parabéns, Barra do Corda - terra de águas que contam histórias, e do seu povo que faz história todos os dias.

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*Francisco Brito é poeta e escritor