Coluna do Wilson Leite: Não foi por muito tempo, mas quando garoto aqui na Barra trabalhei como leiteiro
Não foi por muito tempo, mas quando garoto aqui na Barra trabalhei como leiteiro para Antônio Peixoto, que tinha uma fazenda ali depois do campo de aviação. Eu dormia lá e logo cedo saía montado em um burro com a carga de leite
Coluna do Wilson Leite
(TB de 23jun2026)
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Não foi por muito tempo, mas quando garoto aqui na Barra trabalhei como leiteiro para Antônio Peixoto, que tinha uma fazenda ali depois do campo de aviação. Eu dormia lá e logo cedo saía montado em um burro com a carga de leite.
O Buraco Quente (aquele da rua Pedro Braga Filho) era rota de entrega, e lá na entrega do leite eu não descia do burro, com medo da Maria da Paula.
Isso porque as senhoras puritanas da sociedade cordina da época, especialmente aquelas cujos maridos frequentavam o cabaré, hostilizavam a pobre moça tão somente por ser rapariga e por supor que seus maridos se deitavam com ela. Diziam que o cão já a tinha ferrado com seu ferro quente e outras coisas mais, e as crianças morriam de medo.
Na verdade essas histórias eram fruto do ciúme, porque Maria da Paula era bonita e atraente. Esta, por sua vez ela não deixava barato, se vingava com xingamento, deboches etc. Lembro-me perfeitamente da Maria da Paula, com seus dedos cheios de anéis de ouro, lábios e unhas pintadas de vermelho, bastante ruge no rosto e de temperamento divertido.
Depois de muito tempo da venda do leite vim a frequentar o Buraco Quente, já com 17 anos, depois que deixei a vida a bordo das lanchas.
Costumo dizer que virei homem antes do tempo, com 14 anos fui trabalhar como praticante de motorista na lancha Veneza, logo me juntei aos adultos pervertidos, chegando em Pedreiras me levaram logo ao cabaré.
A verdade é que eu acabei gostando e entrei sem cautela, igual a doido comendo milho assado. Não demorou muito, fui padecer no bico da agulha injeção de benzetacil de 2 mil e 200 unidades, todo escangalhado de moléstia do mundo.
Fiz esse relato inspirado na crônica do colunista Milne Freitas sobre sua primeira vez no Buraco Quente.
Voltando à fazenda de Antônio Peixoto, foi lá que vi pela primeira e única vez um relógio de sol instalado no terreiro marcando as horas corretamente, achei aquilo muito interessante. Que Deus seja louvado.
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*Wilson Leite é historiador, mora no Sítio dos Ingleses em Barra do Corda (MA)
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