Coluna do Milne Freitas: O dia em conheci o Buraco Quente (1ª Parte)
Desde sempre fui um menino “Influído”, enquanto meus amigos montavam em jumentos bravos, davam ponteadas do pé de Gameleira do Porto da Raimunda Neves, eu tinha outras prioridades, aos 12 anos, arrumei minha primeira namorada
Coluna do Milne Freitas
(TB de 27mai2026)
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O dia em conheci o Buraco Quente (1ª Parte)
Desde sempre fui um menino “Influído”, enquanto meus amigos montavam em jumentos bravos, davam ponteadas do pé de Gameleira do Porto da Raimunda Neves, eu tinha outras prioridades, aos 12 anos, arrumei minha primeira namorada. Me encantei pela menina que desfilava no Sete de Setembro como baliza, seus trejeitos, o cabelo cortado à moda indígena, o giro do seu bambolê, aquele sorriso fechado, puro como o ar daqueles tempos, era encantador, eu já perdia horas de sono só em pensar chegar perto dela. Um dia encorajado pelo medo, comprei um ping-pong, retirei o anel colorido que vinha na embalagem e sem dizer uma palavra, entreguei a ela. A resposta foi o silêncio.
Os anos foram passando e em mim os primeiros sinais de homem, pelos cresciam no lugar do bigode e no pescoço umas penugens que valeram o apelido de Gogó de Peba
Enamorado de uma jovem moça, casta, o máximo de proximidade eram olhares, quando raramente um oi, como vai você. No caminho da casa de minha avó, passávamos pela Itaúna, ao chegar naquele lugar, logo na primeira casa morava uma senhora que diziam ser mulher fácil.
Em mim, toda a curiosidade do mundo, até que um dia disfarçado de sede, parei pensando em pedir um copo d’água, entabulei um papo assim meio xoxo, mas senti que havia identidade de propósitos, me amoleci todo e me sentei no tamborete de couro colocado na entrada da casa, batente alto para evitar entrada de cobras, eu de cá, ela de lá e nem uma palavra, apenas olhares cruzando-se como bala de fuzil.
Rubro de coragem e trêmulo de medo, ouvi ela dizer: - O que leva aí nessa sacola menino? Um prato de tapioca para minha avó. Aquela senhora ali em pé, vestida naquela camiseta branca com uma faixa azul e logo acima o nome Fernando Falcão 1972, bem em cima do peito, a camisa já puída, deixava uma silhueta que mostrava o desnível entre um e outro.
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Segunda parte da crônica do Milne Freitas continua na próxima coluna.
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