Américo Ribeiro escreve: Palmas pra mim?
Uma emoção que eu nunca tinha sentido, nem vivenciado e logo tão de surpresa
Leitura de domingo
(TB de 17mai2026)
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Américo Ribeiro escreve:
Palmas pra mim?
Uma emoção que eu nunca tinha sentido, nem vivenciado e logo tão de surpresa
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Fui a Goiânia levar minha segunda mulher, Dona Anaida, a um misto de farmacêutico e curandeiro: Seu Antônio Lázaro.
Terminado o atendimento, fomos juntos almoçar, por ali mesmo, num restaurante que atendia aos funcionários de um laticínio, instalado ali defronte.
Subi o meio-fio, retirei minha mulher devagarinho e a levei até à mesa.
Trouxe do banheiro toalhas de papel umedecidas, higienizei suas mãos, servi seu prato, piquei as verduras, fatiei a carne e fiquei a assessorá-la, devido à sua debilidade motora. Sequela de um derrame.
Na verdade, um cuidado que qualquer um tem que ter nestes casos.
Finalizado o almoço, limpei seus lábios, servi refrigerante.
Nesse instante, todos os fregueses, dentre uns 30 funcionários uniformizados, se levantaram de uma vez, se viraram para nós, e começaram a bater palmas. Não sei se pra mim ou para os nossos cabelos brancos.
Como eu disse, momento igual eu nunca tinha vivido. Fiquei anestesiado. Nem agradeci direito, pois as palavras não saíram da minha boca. Talvez por absoluta falta de costume de ser aplaudido.
Apenas juntei as mãos numa reverência à linda atitude deles.
Levo comigo essa emoção.
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*Américo Ribeiro é escritor, mora em Cocalzinho (GO)
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NR: Esta crônica faz parte do segundo livro do Américo Ribeiro: 'Do que mais vi'
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