Dona Raimundinha
Dona Raimundinha

Dona Raimundinha Abreu faz 95 anos neste 28 de abril

Por Ilana Abreu, filha e médica

Aniversário /Homenagem

(TB de 28abr2026)

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Dona Raimundinha Abreu faz 95 anos neste 28 de abril

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*Por Ilana Abreu, filha e médica

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E, um certo dia, uma enfermeira cearense foi à praia da Ponta D’areia e conheceu um jovem de olhos azuis, zelador da faculdade de farmácia e vestibulando. Ela ficou 3 meses sem voltar à praia para que ele não pensasse que ela era uma mulher fácil. Foram 3 anos de namoro até o casamento.

Muitos desafios aconteceram ao longo dessas décadas de união, mas as alegrias e a felicidade que construir essa família, que continua a se multiplicar, são imensamente maiores que qualquer obstáculo vivido. São filhos, netos e bisnetos, oriundos dessa união.

Temos a honra, a dádiva e a sorte de termos uma mãe como a nossa. Uma mãe a frente do seu tempo. Uma mãe que nunca, nunca cometeu um ato de violência contra os filhos, mesmo em uma época em que isso era normal.

Uma mãe que apenas amou e lutou para que tivéssemos a melhor alimentação, o melhor colégio, as melhores festas de aniversário. Até hoje, não sei como ela dava conta de tudo o que fazia.

Quando ela lia sua agenda das tarefas de cada dia, eu já ficava cansada. À noite, sempre colocava uma bela camisola, se perfumava toda e assistia Jô Soares 11h30, rasgando os milhares de papéis que tinham na sua bolsa.

Ativa, amorosa, decidida, inteligentíssima. Todos os anos ia para o Congresso Brasileiro de Enfermagem e trazia todas as novidades científicas para compartilhar com enfermeiros e técnicos de enfermagem de Barra do Corda.

Deixou um legado de amor e ciência, mostrando que não importa onde você esteja, você pode fazer a diferença na vida dos seus pacientes, se fizer tudo com dedicação e competência.

Ah, Raimundinha Abreu, quem foi sua aluna jamais esqueceu seus ensinamentos.

Até hoje, nosso irmão Jorge é parado na rua para ouvir os elogios e depoimentos de ex-alunas suas do curso de técnico de enfermagem.

Um dia, esse corpo forte, dinâmico e essa mente brilhante, foram cansando. Simplesmente perdeu a capacidade de decisão, a autonomia, a força. Manteve a doçura, o sorriso, a gentileza, o carinho, a fofurice.

Sua presença une nossa família em torno desse amor. Quando eu te encontro e você me olha no fundo dos olhos e sorrir, você inunda o meu coração de amor e gratidão.

Todos fomos abençoados por sermos descendentes dessa mulher tão absurdamente incrível chamada Raimundinha.

Só podemos agradecer a Deus, nesse dia em que nossa rainha completa mais um ano de vida.

Hoje, quando vejo Mariana cuidando dos filhos, com amor, paciência e dedicação, vejo você, mãe. Vejo seu DNA, vejo seus ensinamentos, vejo seu amor multiplicado e perpetuado, através das gerações.

Quando vejo o entusiasmo da Luiza pelos encontros de família, aniversários e formaturas, vejo uma miniatura de Raimundinha em formação e, por isso, eu a apelidei de Luiza Raimundinha, a Raimundinha do século 21.

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*Ilana Abreu é médica, mora em São Luís (MA). Dona Raimundinha também reside na capital maranhense.