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Coluna da Giselle Pacheco: O Rio da Minha Infância e a Segurança das Próximas Gerações

Nasci em Brasília, mas foi às margens do Rio Corda que cresci e construí algumas das mais belas lembranças da minha vida. No Porto das Pedrinhas, o rio era muito mais do que um lugar de banho

Giselle Pacheco é professora e escritora, mora em São Luís (MA)
Giselle Pacheco é professora e escritora, mora em São Luís (MA)

Coluna da Giselle Pacheco

(TB de 5jun2026)

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O Rio da Minha Infância e a Segurança das Próximas Gerações

Nasci em Brasília, mas foi às margens do Rio Corda que cresci e construí algumas das mais belas lembranças da minha vida. No Porto das Pedrinhas, o rio era muito mais do que um lugar de banho; era um espaço de convivência, encontros e afeto. Ainda guardo na memória a ladeira movimentada, o aroma dos bolos de dona Dica e as famílias reunidas às margens das águas que ajudaram a formar a identidade de tantas gerações de barra-cordenses.

Talvez por isso acompanhe com atenção tudo o que envolve a utilização dos rios Corda e Mearim. O recente incidente envolvendo um jet ski e banhistas reacendeu uma preocupação antiga. Felizmente, não houve tragédia, mas o episódio serviu como alerta. A história de Barra do Corda registra acidentes envolvendo motos aquáticas que deixaram marcas profundas em famílias da cidade, com pessoas que sofreram graves sequelas, amputações e até perderam a vida. Lembrar desses fatos não é criar polêmica, mas reforçar a importância da prevenção, da responsabilidade e do respeito à vida.

Essa discussão não é nova. Em março de 2022, uma reunião promovida pela Marinha do Brasil, com a participação de representantes da Prefeitura e proprietários de embarcações, debateu justamente a convivência segura entre banhistas, lanchas e jet skis. Na ocasião, prevaleceu um princípio simples e fundamental: a prioridade deve ser sempre o banhista.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que o jet ski é uma atividade esportiva legítima, capaz de fortalecer o turismo, ampliar as opções de lazer e movimentar a economia local. O desafio não está em proibir, mas em organizar.

É nesse contexto que a Lagoa do Satuba surge como uma alternativa que merece reflexão. Localizada a cerca de 11 quilômetros do centro de Barra do Corda, às margens da BR-226, sentido Grajaú, a lagoa impressiona pela beleza e pela extensão de suas águas. Por estar fora da zona urbana e distante das áreas mais frequentadas por banhistas, poderia ser estudada como espaço destinado à prática organizada de jet skis e outros esportes aquáticos, mediante avaliações técnicas, ambientais e de segurança.

Quem cresceu às margens do Rio Corda sabe que aquelas águas carregam histórias, memórias e sentimentos que atravessam gerações. Preservar sua essência é também pensar no futuro. Se quisermos que nossos filhos e netos construam lembranças tão bonitas quanto as que herdamos, precisamos buscar soluções que conciliem segurança, esporte, turismo e respeito à vida. Afinal, cuidar das nossas águas é cuidar da nossa própria história.

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Giselle Pacheco é professora e escritora, mora em São Luís (MA)