Na missa de Almir Neto população pede justiça
jornal Turma da Barra

Foram lembrados também outros sete jovens barra-cordenses
que morreram vítimas de extrema violência

 


Foto da missa campal na praça Melo Uchoa
 

         Na noite de terça 22, por quase duas horas, a praça Melo Uchoa assistiu a missa em homenagem a Almir Neto, que há um ano foi assassinado com requintes de crueldade. 
         No sermão, Frei Fabiano foi contundente, ao lembrar do profeta Isaías [A paz é feita de justiça], criticou a impunidade e a lentidão da justiça. Pediu aos fiéis que não apenas celebre e reze pela paz, mas que tenha atitude. 
         Dona Yolanda Nepomuceno, mãe de Almir Neto, leu depoimento carregada de emoção, lembrou que a noite da morte do filho foi a mais terrível da sua vida e revelou que ainda sente o cheiro do filho pela casa e acrescentou: "Tenho saudade de tudo, Almir". 
         Mais de 500 pessoas assistiram a missa campal na praça Melo Uchoa, segundo cálculos da Polícia Militar.
         A missa começou por volta das 19h30. Um conjunto musical em cima de um carro de som fez a abertura do ato religioso. Foi lido um texto introdutório por Selma Santos, lembrando que há um ano foi cruelmente assassinado Almir Neto, na madrugada do dia 22 de dezembro de 2008. 
         Também foram mencionados outros sete crimes contra barra-cordenses, vítimas de extrema violência ainda não solucionados, que são os casos de Márcio Luís Vieira Nascimento (em 21 de julho de 1996), de Wander Vanick Menezes Pedrino (de 31 de março de 1999), de Francisco Charles Silva (de 29 de setembro de 2006), de Patrick Stéffano Sousa Silva (em 29 de outubro de 2008), de Lourenço José Martins dos Santos (de 15 de novembro de 2009), de Francisco Rubens Tomáz de Araújo e Crislane Medeiros de Araújo (de 14 de novembro de 2008) e de Geová Alves Palma (de 27 de outubro de 1999).
         Frei Fabiano, em sua homilia dissertou inicialmente sobre a injustiça que corroe o mundo, disse aos fiéis que é necessário um olhar a Deus e outro para a realidade.
         Fez questão de ressaltar que se o ser humano quer a paz, desejo de todo homem de boa-vontade, bem-aventurados àqueles que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus, relembrando um dos ensinamentos dos evangelhos bíblicos.
          Citou estatísticas publicadas na imprensa, para dizer que no mundo a violência aumenta a cada dia. Mas são vários os fatores que a origina. Desde à condição de fome e miséria por que muitos seres humanos passam, mas também pela falta de atitude de cada pessoa, que fica calado diante da injustiça. Segundo o profeta Isaías, “a paz é fruto da justiça”, frisou. 
         Também criticou a impunidade, a lentidão da justiça, a falta de atitude de cada ser humano diante da injustiça. Pediu aos fiéis que não apenas celebre e reze pela paz, mas que tenha atitude. Encerrou o sermão lembrando da oração de São Francisco: "Senhor, fazei cada um de nós instrumento de vossa paz".
         Antes da benção final da missa campal, dona Yolanda Nepomuceno, mãe de Almir Neto, leu mensagem de agradecimento a todos que prestaram apoio e solidariedade à família e contou que a noite mais terrível da sua vida, foi aquela que perdeu seu filho. 
         Revelou que ainda sente o cheiro do filho pela casa e acrescentou que Almir era um filho conselheiro, que às vezes costumava dizer: “Mulher, tenha fé que tudo vai dar certo.” E completou: "Tenho saudade de tudo, Almir”, puxando demoradas palmas.
          Para encerrar a noite de homenagens, Teresa, uma das irmãs de Almir Neto, e uma jovem adolescente, que lembrou o casal Francisco Rubens Araújo e Crislane Medeiros que morreu em 14 de novembro de 2008, também fizeram depoimentos emocionantes sobre os dias de sofrimento e à espera pela justiça, que se resume na mensagem final distribuída para o público : “Não podemos ficar calados diante do silêncio que nos incomoda.”

(TB/23dez2009)

As faixas de protestos
que a população fixou na praça Melo Uchoa


“Um ano sem Almir Neto. A sociedade espera uma resposta das autoridades competentes.”

“Os amigos de Almir se unem querendo justiça”

“Um ano sem Almir, esperamos justiça”

“Não podemos ver nossos jovens serem assassinados e não fazer nada! Queremos justiça”

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