Especial
Barraterra:
 Do sonho à realidade

jornal Turma da Barra

 


Grupo Teatral B
arraterra

"Em 1982 após a saída de alguns integrantes, por motivos pessoais,
o grupo não resistiu e acabou por se dissolver. No entanto, ficou a certeza de ter cumprido sua missão,
enquanto fôlego teve. Paralelo às atividades do MIM e dos jornais Pausa e posteriormente o Alternativa, o Barraterra foi o único grupo teatral a encarar o desafio de representar, não somente os personagens na ficção, como também alterar o cotidiano dos maranhenses radicados no Planalto Central"

*Francisco Brito

            Há exatos trinta anos, nascia em Brasília, mais precisamente na cidade satélite do Guará I, o Grupo de Teatro Barrraterra, idealizado pelo sonho de quatro jovens barra-cordenses: Anísio Filho, Roberval Freedman, Francisco Brito (foto) e José Berocan, residentes na época na capital do país.
            Movidos pelas reminiscências e das experiências dos circos que passavam temporadas  na terra natal, nos anos 70, a idéia do grupo era ser formado somente pelos filhos de Barra do Corda ou maranhenses radicados no Distrito Federal e, representar a peça, E o Céu Uniu os Dois Corações, de autor desconhecido, apresentado em terras cordinas pelos grupos de teatro circenses. No entanto, o  Barraterra desde a sua criação até suas últimas apresentações nos palcos guaraenses, passou por algumas formações agrupando na trupe, mineiros, goianos e brasilienses.
            Como todo e qualquer projeto cultural, o GTB passou, desde seu início, por inúmeras adversidades em sua curta e meteórica existência. Das críticas dos conterrâneos mais incrédulos, às dificuldades de adquirir um espaço para suas reuniões e ensaios. Recorremos ao Centro de Desenvolvimento Social-CDS do Guará II, e depois de várias reuniões, a sua diretora nos cedeu uma sala, para nos reunirmos aos domingos. Já tínhamos a peça, o local, o material humano. Só nos faltava o diretor. Foi quando  surgiu o intelectual Bené Martins. Além do apoio incondicional do advogado Edésio Cordeiro, na divulgação e sua irmã Lúcia, nos cenários. E aí, tudo começou efetivamente.
            Dos vinte e sete integrantes do grupo, registre-se, todos amadores, e das duas peças encenadas, Pedro o Lenhador, de Moliére, e de Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta,  uma comédia dos personagens de Maurício de Sousa, adaptados para a obra do multifacetado William Shakespeare, escrita pelo teatrólogo pernambucano, Edmundo Santos Pereira, conhecido artista na dramaturgia brasiliense dos idos de 1980, apenas oito componentes permaneceram até o seu completo desaparecimento das cenas teatrais.
            Depois de quase um ano ensaiando a peça, O Monstro Que Se Chama Fome, do companheiro Edmundo Pereira, retratando a miséria dos retirantes nordestinos, o Barraterra estreiou com Pedro o Lenhador, o pequeno drama, dividido em dois atos,  em 1981 no palco do Centro de Ensino de 1º Grau,  localizado na QI 1, por ocasião da realização do I Concurso de Poesias, promovido pelo Movimento de Integração Maranhense-MIM,  o grupo não parou mais. Recebeu inúmeros convites para representar em algumas cidades-satélites, além de participar de encontros culturais e concursos de teatro amador no DF.
            Seguidos seis meses de ensaios, representou a comédia-adaptação shakesperiana, Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta, no teatro do Centro de Ensino de 2º Grau do Guará II, situado na QI 19. Foi sucesso de público e de crítica. Tendo sido encenadas várias vezes. Vale lembrar, que todas as apresentações do grupo, teve a direção do poeta, Olímpio Cruz Jr.,  uma vez que, o saudoso Bené nos deixou ainda na primeira fase.
            Em 1982 após a saída de alguns integrantes, por motivos pessoais, o grupo não resistiu e acabou por se dissolver. No entanto, ficou a certeza de ter cumprido sua missão, enquanto fôlego teve. Paralelo às atividades do MIM e dos jornais Pausa e posteriormente o Alternativa, o Barraterra foi o único grupo teatral a encarar o desafio de representar, não somente os personagens na ficção, como também alterar o cotidiano dos maranhenses radicados no Planalto Central,  tão carente na época, na busca por uma identidade cultural e de entretenimento na fria e solitária Brasília.

*Francisco Brito Carvalho é poeta e escritor, mora em São Luís (MA)

(TB2010)