Artigo
Barra do Corda:
amor da minha vida

 


*Enio Pacheco


                Melo Uchoa, um belo dia deparou-se com a notícia do jornal A Gazeta, onde o governador da província do Maranhão oferecia dinheiro, vantagens para quem localizasse um lugar de boas terras, com muita água, para se criar uma cidade, sendo que este local seria em uma vastidão, entre a vila dos Urubus (Codó), Pastos Bons, Vila do Riachão, Vila da Chapada (Grajaú), feitoria do senhor Raimundo Pereira, hoje Pedreiras. Isto nos anos de 1834 – 1835.
                Uma lei provincial de 31 de maio de 1854 elevou o lugar à classe de Vila com o nome de Santa Cruz de Barra do Corda.
                Em 1856, quando ainda pertencia a comarca de Grajaú, contava com 44 casas de palha, 13 de alvenaria, 7 lojas e 284 habitantes, sendo que 42 dos quais eram escravos.
                Assim, foi se formando a nossa cidade com uma história bastante interessante, Barra do Corda começou o seu desenvolvimento comercial e econômico. Tivemos figuras ilustres que compuseram a nossa história nestes 173 anos.
                Entre outros cearenses que aqui chagaram pelo efeito da seca de 1877, destacam-se Manoel Bezerra de Melo Falcão, Fortunato Ribeiro Fialho, Pedro Pereira Braga, que se tornaram figuras importantes como comerciantes, vereadores e prefeitos. Também chegaram em Barra do Corda os comerciantes Rocha Lima, de Riachão, o sírio-libanês Manoel José Salomão, também pecuarista, fundou a companhia de navegação Manoel José Salomão, Gerôncio Falcão entre outros.
                Um outro que fez parte ativamente da nossa história chamava-se Frederico Figueira, foi promotor, poeta, jornalista, também exerceu papel importante no cenário político maranhense como deputado, chegando a governar o Maranhão por breves dias.
                Destaco também o promotor Dunshee de Abranches, que narra em seu livro “A Esfinge de Grajaú” a sua chegada a Barra do Corda: “súbito, ao alcançarmos uma encosta, surge aos meus olhos maravilhados um lindo vale, centenas de tetos vermelhos, que são formados pelas casas do povoado, dos habitantes dali formado por cearenses retirantes da seca, dando toda estas características.”
                Também formando este quadro, doutor Isaac Martins dos Reis, juiz de direito, fundou o colégio Santa Cruz e o jornal O NORTE, líder regional do movimento republicano, juntamente com Dunshee de Abranches e Rocha Lima, que financiava o jornal O NORTE, faziam parte deste movimento político. Esse jornal, que durou 50 anos, logo se transformou em grande veículo de comunicação do nosso município.
                Quando houve o massacre do Alto Alegre, o mesmo noticia: “Hecatombe, episódio sangnolentos e tétricos, da arena do canibalismo, o que se desenrolara na manhã de 13 de março de 1901, no lugar Alto Alegre.” E muitas notícias importantes foram veiculadas por esse jornal.
                Poeta Maranhão Sobrinho, Olímpio Cruz, Francisco Brandes, Galeno Edgar Brandes, Wolney Milhomem, Rubens Milhomem e muitos outros fazem parte da nossa história. Se aqui fosse citar o nome de todos que fizeram e fazem nossa história seriam várias páginas. Quero somente prestar esta homenagem a minha querida Barra do Corda.

*Enio da Cruz Pacheco é ativista ambiental, mora na Barra

(TB/3/maio)2008)