Homenagem
15 anos sem Galeno
Galeno Brandes, ao centro,
com amigos na Ponta da Ilha (Balneário Guajajara)
(década de 70)
*por Álvaro Braga
Parece que foi ontem. Julho de 1994. Mais precisamente no dia 12, falecia, devido à complicações cardíacas, o professor Galeno Edgar Brandes deixando uma lacuna difícil de ser preenchida, como de fato ainda não o foi.
Muito se falou sobre a figura do honrado político, que deixou a sua marca na história de Barra do Corda e do Maranhão, mas aqui vamos tecer alguns comentários sobre a figura do homem Galeno, uma pessoa que nasceu predestinada a construir amizades e a formar gerações.
Filho de Florêncio Brandes e Raimunda Pinheiro Brandes, Galeno nasceu na Rua Frederico Figueira no dia 10 de outubro de 1930. Desde cedo demonstrava seus pendores artísticos, quer na música, onde aprendeu a executar vários instrumentos com perfeição, também dedicando-se à composição, quer na poesia, arte na qual sempre brindava os amigos com uma novidade a cada dia.
Exímio desenhista, desenvolveu essa tendência inata de tal forma que era capaz de fazer projetos arquitetônicos e paisagísticos com perfeição, o que foi bastante útil em sua futura vida política. Também era um matemático de primeira linha, empregando um estilo todo peculiar de ministrar aulas em todas as escolas onde lecionou, que consistia em desmistificar totalmente a matéria para que os alunos, mediante a sua didática fenomenal percebessem que aquilo não era um bicho de sete cabeças.
Casou-se com Alda Lopes da Fonseca, depois Alda Brandes, em abril de 1954. O jornal A Resistência, semanário editado por Sidney Milhomem noticiava o fato da seguinte forma: “Realizou-se sábado passado, o enlace matrimonial do jovem Galeno Edgar Brandes com a Srta. Alda Lopes. Àquele jovem que é, indiscutivelmente, uma das inteligências moças da terra, pois seus dotes intelectuais e morais o credenciam a tanto, A RESISTÊNCIA envia os melhores votos de felicidades, extensivos à digna consorte.”
O professor Galeno gostava de futebol. Em sua mocidade chegou a jogar e não fazia feio com a bola, segundo seus amigos. Já na meia idade gostava de acompanhar a equipe do Grêmio dos saudosos Leandro Cláudio da Silva e do professor Raimundo José.
Passou a escrever em jornais, depois fez-se vereador, prefeito, deputado estadual, professor, sempre pautado por uma postura ética retilínea que desarmava os sempre presentes críticos de plantão. Costumava dizer que não tinha inimigos na política, tinha opositores.
Pai das filhas Aldaléa e Clície e avô de seis netos, Galeno deixou também um filho em forma de livro, intitulado Barra do Corda na História do Maranhão, verdadeira bússola para aqueles que pesquisam e amam a história de nossa terra.
Em seus últimos anos de vida, o professor Galeno acalentava o sonho de ver construído um obelisco na Praça Gomes de Castro, como forma de se homenagear o fundador de nossa cidade, Manoel Rodrigues de Melo Uchôa, que repousa seus restos mortais naquele local, que fôra, outrora, o primeiro cemitério da cidade. O projeto existe. Que tal transformarmos esse sonho em realidade?
Seu amigo e colega professor do Ginásio Diocesano Nossa Senhora de Fátima, Antônio Rodrigues, em um trecho de seu discurso lido para homenagear Galeno Brandes após seu falecimento, diz :
“ – A notícia da morte do professor Galeno Edgar Brandes, na noite do dia 12 de julho, teve o efeito de um verdadeiro sismo emocional. Profundo e intenso abalo atingindo toda a Barra do Corda, alongando-se pelo Estado e além fronteiras. Não se acreditava facilmente que aquele cedro caísse tão cedo e tão depressa. Mas, a vida também encerra mistérios como a morte. Há homens que passam por ela sem deixar a marca dos pés na areia do tempo. Outros, como belíssimos cometas cruzam apenas uma fatia do espaço da vida e deixam eternizado um rastro de luz, mostrando aos porvindouros que ali passaram e que não foram inúteis como a mentira, vazios como o ódio. Na história dos homens que construíram a grandeza cultural cordina, o nome de Galeno Edgar Brandes como um círio permanentemente aceso. Sua voz ecoará como um símbolo de coragem aos humildes, de bravura aos fracos, porque conseguiu identificar-se entre os homens de seu tempo.”
Sua filha Aldaléa Lopes Brandes Marques, em comovido poema dedicado ao pai, sintetiza, em quatro versos o pensamento reinante:
“...Ah! se possível fosse a comunicação
Entre os que ficam e os que daqui se vão
Tu saberias também o que eu já sei
Como foi bem cumprida tua missão!”
*Álvaro Braga é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda
(TB/1º ago/2009)
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