Artigo
Parabéns minha querida
Barra do Corda

jornal Turma da Barra
 


José Goudim

“Recordo vivamente das descidas nas águas do Corda; 
das peladas na Ilha; das passarinhadas, com badoque; das pescarias, com garrafas serradas ao meio; 
das travessuras que praticava: caçoava o cego Popó; abria a porteira das quintas alheias; pegava frutas da Colônia e do Sítio dos Ingleses; dava perigosas ponteadas da ponte do rio Corda
"

*José Goudim

            Cidade de rara beleza e berço de grandes personalidades. A Igreja Matriz, o Arco do Triunfo, a Igrejinha do Calvário, o encontro dos rios Mearim e Corda, são os principais cartões postais.
            A Barra é berço de Maranhão Sobrinho, escritor e um dos fundadores da Academia Maranhense de Letras; Clodoaldo Cardoso, professor universitário que se destacou como consultor jurídico; Antônio Almeida artista plástico renomado, considerado um dos mais talentosos do Brasil.
            A cultura é outro ponto relevante: o Carnaval cordino é um dos melhores do maranhão, a Festa da Punga é outro evento de grande beleza, que atrai muitos turistas.
            Minha cidade tem cachoeiras, montanhas, matas e campinas; tem palmeiras de babaçu, buritis, juçara; tem bem-ti-vis, xexéus, martins-pescadores, traíra, piau cabeça gorda e mandi.
            Recordo vivamente das descidas nas águas do Corda; das peladas na Ilha; das passarinhadas, com badoque; das pescarias, com garrafas serradas ao meio; das travessuras que praticava: caçoava o cego Popó; abria a porteira das quintas alheias; pegava frutas da Colônia e do Sítio dos Ingleses; dava perigosas ponteadas da ponte do rio Corda.
            Lembro-me de todas as pessoas que fizeram parte da minha infância e juventude: das professoras: Helena, Nadir, Vilma Pinto, Maria José, Oneide Nepomucena, Luzia Soares, Coracy Piauilino e Beliza. D. Mercedes, diretora do Pio XI; do Frei Marcelino educador, diretor e médico; Antônio Reis, que tocava piano nas missas. Dos Delegados Anjo e Juarez, do soldado Souza; do sanfoneiro Juarez Bílio; do Poeta Olímpio Cruz; do Prefeito e Professor Galeno Edgar Brandes, dos Médicos Abreu e Celestino; do Dr. Tapety, administrador da Colônia dos Coletores: Perdigão e Torres; dos cartórios do João Pedro e do Raimundo José; do Senhor Eduardo dos Correios; do cine Canecão; das Farmácias: do Jaldo, do Ismael e do Machadinho; das Casas Pernambucanas; da Usina de beneficiar Arroz do Senhor Airton; da agência de vender passagens do Sidney Milhomem; das Padarias do Daniel e do Machadinho; do Bar do Augustinzão e do Cachimbo; dos portos do Pintinho, do Mariano, das Almas, dos Lopes, das Pedrinhas, dos Presos, da Ponta da Ilha, da Rampa; do rabo da gata; do curral do conselho.
            Barra do Corda completa 178, uma longa e bela história que tenho orgulho de fazer parte e ter vivido intensamente um pedaço desse tempo.

*José Goudim Carneiro é presidente do MIM, mora em Brasília (DF)

(TB5mai2013)