Igreja Católica em festa ordena presbíteros
jornal Turma da Barra

 

 

            Em cerimônia emocionante conduzida pelo bispo de Grajaú don Franco Cuter foram ordenados na noite deste sábado 12, Fábio Sousa e Martinely Soares Martins. Quase duas mil pessoas lotaram o ginásio do Colégio Nossa Senhora de Fátima.
            Don Cuter falou da importância da ordenação e sobre o compromisso dos novos presbíteros, que confirmaram os votos de pobreza e celibato diante da população. “Seus corpos e almas já nos vos pertencem mais, Cristo determinará de hoje em diante os seus destinos. É chegada a hora, convido-os para a ordenação presbiterial”, conclamou o bispo.
            Houve momentos emocionantes, lágrimas e muitas fotos. Notava-se a emoção no rosto das famílias dos novos frades. A cerimônia contou com a presença de quase todos os frades capuchinhos de Barra do Corda e Grajaú. Caravanas de outras cidades vieram prestigiar o momento histórico para a igreja católica.
            Frei Martinely Martins que foi indicado ao cargo de secretário em uma das paróquias de São Luís, em discurso falou de sua infância no colégio Diocesano, agradeceu aos amigos e pessoas que o ajudaram na sua formação religiosa, e ofereceu a sua ordenação à família.  Frei Fábio foi nomeado para a cidade de Capanema no Pará.

Por Humberto Madeira e Alex Macedo

 

 

'Navalha' começou no Maranhão
jornal Turma da Barra



O TB transcreve matéria do b
log do Josias
desta sexta 18
 

 

‘Navalha’ partiu de obras fantasmas do Maranhão

As investigações que deram origem à “Operação Navalha” começaram no Maranhão. O governo do Estado pagou por obras inexistentes.

Informado, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza abriu inquérito. Chamada a apurar o caso, a Polícia Federal descobriu que as malfeitorias, estimadas em R$ 31 milhões, se repetiam em outras seis unidades da federação: Alagoas, Sergipe, Piauí, Distrito Federal, Bahia e Mato Grosso.

O procurador-geral tomou conhecimento formal do que se passava no Maranhão por meio de uma representação protocolada no Ministério Público em 4 de agosto de 2005. É assinada pelo advogado Marcos Alessandro Coutinho Passos Lobo.

Requereu que José Reinaldo Tavares (PSB), então governador maranhense, fosse investigado em sigilo. Mencionou fraudes que dão uma idéia do estilo da quadrilha.

A representação cita um conjunto de obras que jamais saíram do papel. Custaram R$ 5,2 milhões. Entre as empreiteiras beneficiadas está a Construtora Gautama, cujo proprietário, Zuleido Soares Veras, preso nesta quinta-feira (18), é apresentado como cabeça do novo esquema de desvios. Os principais malfeitos relatados ao Ministério Público referiam-se à abertura ou à recuperação de dezenas de estradas vicinais.

Há casos em que, além das obras, também as localidades onde elas seriam construídas não existem. Por exemplo: O governo maranhense contratou a recuperação de duas estradas no município de Miranda do Norte.

A primeira, entre os povoados Boiadeiro e Rio Seco. A outra, entre Pedra Caída e São João. Nenhuma das quatro localidades existe. As estradas ligando o nada a lugar nenhum custaram R$ 369.238,00.

No Município de Alto Alegre, contratou-se a abertura de uma estrada ligando os povoados de Carrasco e Bom Fim. O primeiro existe. O segundo, não. A obra fantasma custou R$ 186.650,32. Em Graça Aranha, pagou-se 186.268,69 pela abertura de uma estrada ligando as inexistentes localidades de Centro do Doca e Gavião.

Em Passagem Franca, os povoados “premiados” com uma estrada –Jacaré e Saco de Boi—existem. Mas não há vestígio da via, que custou R$ 185.280,52. Na cidade de Tutóia, contratou-se a construção de uma ponte sobre o Rio Barro Duro. Antes mesmo do início da obra, o Estado desembolsou R$ 1,55 milhão.

Embora a PF tenha iniciado as investigações em 2006, época em que José Reinaldo ainda governava o Maranhão, só nesta quinta-feira (17) as prisões puderam ser realizadas. Expediram-se 48 mandatos de detenção. Cumpriram-se, por ora, 46. Como já não detém mandato eletivo, José Reinaldo, embora negue as irregularidades, foi recolhido ao cárcere.

O Ministério Público pediu também a prisão do atual governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Dois parentes dele, presos, foram pilhados em escutas telefônicas da PF transacionando com representantes da Gautama. Mas a ministra Eliana Calmon, do STJ, não autorizou a prisão de Lago.

Zuleido Veras, o dono da Gautama, é um empresário bem relacionado. Cultiva, por exemplo, uma amizade com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Entre os detidos pela PF está o secretário de Infra-estrutura de Alagoas, Adeilson Bezerra. Foi nomeado pelo governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) a pedido de Renan.

Sobre o seu indicado, Renan afirmou: “Não tenho compromisso com o erro”. Sobre a proximidade com o dono da Gautama, disse: "Você pode ter amizade, mas não quer dizer que se é amigo de práticas criminosas".

Uma das características da “Operação Navalha” é o caráter suprapartidário. Saíram chamuscados da investigação políticos do PMDB, PT, PSB, PDT, PSDB, DEM, e PPS. O grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) festejou a desdita de José Reinaldo e Jackson Lago, hoje os principais adversários do ex-presidente no Maranhão."

(TB/18/mai/07)

 

 

Artigo
Carnaval de Caxias
está enterrado

jornal Turma da Barra



por Ezíquio Barros Neto
do site (http://www.caxiasmaranhao.com.br)


            Nos últimos anos vimos à proliferação de festas carnavalescas pelo interior do Maranhão com o número crescente de turistas, principalmente das capitais mais próximas como São Luís e Teresina. Enquanto isso, Caxias a cada ano regride. Este ano enterrou-se de vez.
            Mas a pergunta que se faz é: o que fazer para voltarmos a ter um bom carnaval? Afinal, até a o fim da década de 80, Caxias tinha o mais animado carnaval do interior do estado.
            Com o axé music, novo estilo musical vindo da Bahia, muda-se o modo de fazer carnaval pelo Brasil com a introdução de novidades como trios elétricos e blocos. Deixa-se de lado as velhas marchinhas de carnaval, que sempre animaram os salões e as fantasias, que desde os primórdios do carnaval eram fundamentais para a festona do povo. Mesmo diante dessas novidades, Caxias manteve a tradição de festas de clubes nas noites de carnaval.
            Enquanto isso, algumas cidades menores incentivavam o carnaval de rua atraindo turistas, botando o “bloco na rua” literalmente. Cidades como Floriano, no Piauí, é um exemplo. Blocos disputam turistas com trio, banda e alguns atrativos a mais, como cerveja liberada para os brincantes dentro do cordão. Isso atraiu não só piauienses, mas também maranhenses e até cearenses.
            No Maranhão, a cidade de Barra do Corda mudou a forma de fazer carnaval desde a década de 80. Assim, por exemplo, há dez anos o carnaval na Barra não é feito em clubes. Para se ter uma idéia, hoje a cidade é reconhecida como o melhor carnaval maranhense recebendo somente de São Luís mais de 3 mil foliões. Percebendo a empreitada, outras cidades começaram a incentivar seu carnaval nas ruas. Chapadinha e Itapecuru se destacaram nos últimos anos. Em 2006, a cidade de Codó surpreendeu com o aumento de turistas na cidade, graças ao seu carnaval puxado por blocos.
            Em Caxias, no entanto, o carnaval de 2006 foi o pior de todos, sem dúvida nenhuma. Pior de todos os tempos da cidade e também o pior do Maranhão dentre as maiores cidades do interior. Desde metade da década de 90 que a cidade apresenta os primeiros sinais de desgaste quando já não conseguia atraía turistas, perdendo para cidades menores. Nos últimos anos, foram os caxienses que deram uma verdadeira debandada para onde se tinha um carnaval de verdade. O que piorou a situação desse carnaval foram as prévias na praça Gonçalves Dias, que se transformou em palco de violência, sem policiamento nem segurança, chegando a ter vítimas fatais.
            Mas o problema do carnaval caxiense não é a falta de segurança e nem falta de blocos. Não adianta tentar empurrar “goela abaixo” o que a sociedade não está acostumada. Não adianta se investir em bloco carnavalescos em Caxias imediatamente, pois a política carnavalesca da cidade não favorece o carnaval de rua. A orientação está errada. No ano 2000, tentou-se incentivar o carnaval com o bloco Babaçu, que saiu com trio-elétrico e banda pelas ruas da cidade. Apesar de agradar e muito os foliões, o projeto não foi para frente por falta de investimento. Em 2003, foi a vez do bloco No Limite, que também tentou reerguer o carnaval, gerando grande animação na juventude, mas também não foi adiante.
            Se Caxias pretende ter um carnaval decente, atraente e que dê retorno em investimentos, precisa de mudanças radicais e de longo prazo. Primeiro é acabar com a idéia de carnaval em clube. O tempo é outro. A cidade precisa evoluir. Os erros que se cometeram no passado e que se repetiria este ano, foi o de colocar esses blocos à tarde e obrigar o folião a passar a noite de carnaval no clube Alecrim. Qual folião-turista hoje, em sã consciência, vem passar o carnaval em Caxias e pagar um preço absurdo para entrar em clube sem novidade nenhuma? É querer demais. Esse é um fator que atrasa o carnaval caxiense.
            Uma vez superado esse problema, deve-se voltar os olhos para o carnaval de rua. É preciso um plano ambicioso e de gente de competência para levar esse projeto adiante, pois a sociedade caxiense conservadora, por não está acostumada vai resistir as mudanças que não fazem parte de sua cultura.
            Segundo fator é um novo local para o novo carnaval caxiense. Uma boa opção é a avenida Alexandre Costa. Amplo espaço para circulação de trio-elétrico, blocos, barracas, camarotes, tenda rave e palco para show. Esse novo espaço é apenas para as noites de carnaval. À tarde a cidade teria como outros atrativos os próprios clubes, como o Alecrim, AABB e Veneza, e um trio na praça Gonçalves Dias mantendo a tradição de carnaval no centro histórico. O carnaval na praça Panteon a noite também seria mantido.
            Outra etapa, mas paralela à segunda, é trazer bandas de renome para o carnaval caxiense. Não trazer por um dia ou dois, como sempre se faz, pois nenhum turista vem para Caxias apenas para ouvir certa banda e voltar para sua cidade. Caxias precisa minar o carnaval das outras cidades para chamar a atenção, e isso se faz trazendo as melhores bandas da atualidade no Maranhão para tocar exclusivamente aqui e não bandas da Bahia que ninguém ouviu falar.
            É um projeto ambicioso, mas de vanguarda por isso requer uma boa elaboração por parte dos organizadores. Com esse projeto posto em prática, a cidade conseguirá manter o folião caxiense na sua cidade. Como conseqüência do sucesso, aí é que viriam os turistas aquecendo a economia da cidade e a alegria do carnaval. Somente com iniciativas como essas, Caxias sai da condição de pior para melhor carnaval da região.

*Ezíquio Barros Neto é editor do site (http://www.caxiasmaranhao.com.br)