Entrevista
Melo Uchoa morreu há 150 anos
(07.09.1861 / 07.09.2011)
jornal Turma da Barra

 


Quadro do fundador Melo Uchoa
assinado pelo pintor Pedro Luz (à direita)
Á esquerda: Álvaro Braga

*Álvaro Braga

            No próximo dia 7, quarta, dia da Independência do Brasil, também é o aniversário de 150 anos do falecimento do fundador de Barra do Corda, o cearense Manoel Rodrigues de Melo Uchoa.
            A data foi descoberta graças à pertinácia do saudoso professor Galeno Edgar Brandes, que em seu livro Barra do Corda na História do Maranhão desmistifica a versão de que o fundador teria falecido em 1866, e prova com documentos que nessa data ele já era falecido, veja:
            “Sobre Mello Uchôa, a Monografia do Município do ano de 1930 registra: “O inolvidável fundador de Barra do Corda faleceu a 7 de setembro de 1861”.
            Para a data tão significativa para nossa história, vamos presentear a cidade com o rosto do fundador da Barra, sonho antigo dos cordinos.
            Encomendamos um quadro (veja foto), que será apresentado ao público no dia 7 de setembro, e registramos o fato histórico em Cartório, com os seguinte teor:

“R E Q U E R I M E N T O

Dra. Iolanda Nepomuceno Silva
Tabeliã do Cartório do 2º Ofício
Barra do Corda – MA

Vimos por meio deste requerer o registro de uma pintura em quadro, emoldurado em estilo barroco, com forro de duratex, realizado utilizando-se a técnica de óleo sobre tela, prevalecendo as cores em tons envelhecidos, em uma superfície porosa, com a dimensão de 01 (um) metro por 80 (oitenta) centímetros.

A pintura em questão é um retrato artístico estilizado do fundador de Barra do Corda, o cearense Manoel Rodrigues de Mello Uchôa, que fundou a cidade no dia 03 de maio de 1835, no exato lugar da confluência dos rios Corda e Mearim, atual Porto da Sapucaia.
Para se chegar às feições mais próximas do rosto original, intensas pesquisas foram diligenciadas e com base em relatos da bisneta Mariínha Miranda e do bisneto José Maria de Mirada Uchôa, que afirmou, que se fosse produzido no futuro um retrato de seu bisavô, este deveria possuir a indumentária de um bandeirante. Esse fato foi testemunhado por Eurico Arruda e pelo falecido pintor Alcebíades Lopes.
Uma efígie então tomou forma, somando-se às características físicas, as pesquisas históricas e os relatos testemunhais, que apontaram para o rosto do neto legítimo Marcelino Miranda, com alguns traços de José Maria Uchôa.
A histórica obra de arte foi idealizada ainda em 2008 pelo historiador Álvaro Braga, que concluiu ser o ano de 2011, o ano ideal para a apresentação do quadro do fundador a toda a sociedade de Barra do Corda, mais precisamente no dia 7 de setembro de 2011, ocasião em que se comemoram 150 anos de sua morte: 1861 – 2011, de acordo com descobertas do professor Galeno Edgar Brandes, em seu livro Barra do Corda na História do Maranhão, que nos diz, ainda, que o fundador foi enterrado em uma cova rasa, no cemitério São Benedito, local onde atualmente encontra-se a Praça Gomes de Castro, mais conhecida como Praça do Sítio.
            Coube a honrosa tarefa de ser o primeiro a pintar a efígie de Mello Uchôa, ao grande artista das cores, o pintor Pedro Luz, que não mediu esforços para transmitir para a tela todas as informações de que dispunha e legar para a posteridade essa magnífica obra de arte.
            Barra-cordenses, eis Manoel Rodrigues de Melo Uchoa, o fundador de Barra do Corda!

Barra do Corda (MA), 25 de agôsto de 201
Álvaro Venícius de Oliveira Braga – Historiador”

            Após a divulgação do quadro, outras homenagens ao fundador serão levadas ao conhecimento público até o final do ano, como o Painel: “A Fundação de Barra do Corda”, idealizado pela diretora da Casa da Cultura, dona Alda Brandes e pintada por Pedro Luz.
            A secretária de Cultura do município, Tâmara Pinto, já solicitou deste autor uma foto do quadro para efetuar estudos, visando à feitura de uma estátua, a ser colocada na Praça que leva o nome de Melo Uchoa.
            Fazemos votos que tudo se realize a contento, e que a Barra pague finalmente um débito imenso que tem com a figura de seu fundador, e que nossa cidade dê mais um passo rumo ao seu resgate cultural.

*Álvaro Braga é pesquisador, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda (MA)

(TB4set2011)