*por
Miramny Santana
Guedêlha
Como falar de algo que já foi cantado, recitado em prosa e verso,
falado e escrito em artigos e livros? Sob que enfoque (político, econômico e
social), se todos já foram usados? Este é o dilema deste breve ensaio:
comentar e homenagear Barra do Corda, está jovem senhora, que completa 171
anos neste três de maio.
Primeiramente, queria saber o que é Barra do Corda? Ora,
simples, é uma cidade. Isso, mas o que é uma cidade? Uma cidade, no sentido
material, são pedras e prédios, aglomerados de gente e coisas. Nas palavras do
poeta barra-cordense Rubem Milhomem ao definir Brasília: concreto ao sul,
também ao norte e em qualquer direção e em qualquer caminho e em qualquer
destino (...) uma cidade que é apenas uma cidade e não consegue ser mais que
isto.
Já diziam os filósofos gregos que o ser humano tem a necessidade
de materializar as coisas para entender, é a questão dos simbolismos; Desta
feita, na verdade, tal definição nos mostra que cidade é apenas uma
representação, um simbolismo de algo. Difícil de entender? Vejamos: o nosso
corpo é a materialização do nosso espírito; O Estado se exterioriza nos
governantes, você não pode pegar o Estado; assim, Barra do Corda se faz
representar fisicamente pelas pedras e prédios, na cidade... mas ela quer ser
mais que isto.
Então, senhores, Barra do Corda não é apenas uma cidade, é mais...
é sim, um sentimento exteriorizado materialmente. Barra do Corda é o abstrato
e a cidade é a matéria. Esse é o ponto. Seria subestimar esta aniversariante
se a classificássemos apenas como pedras e prédios, pois ela é mais do que
isso; ela se faz de outros elementos, de pessoas e idéias, de cultura e
folclore, de festas e crenças, de carnaval e política.
Destarte, seria Barra do Corda um sentimento que inspira poetas e
jornalistas, que deixa saudades aos seus filhos distantes e em quem visita...
Afinal eu não sou barra-cordense porque a cidade é bela, mas porque existe
algo mais que me faz dizer: Eu sou filho de Barra do Corda.
Assim, enquanto existir um filho, mesmo distante, para relembrar o
03 de maio de cada ano como uma data festiva, Barra do Corda sempre se manterá
viva. Pois independente de política, das classes sociais e de questões
econômicas nos sempre seremos barra-cordenses.
*Miramny Santana
Guedêlha, 25, bacharel em História e Direito, mora em São Luís