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Matéria 3

 


ABC
Arcádia Barra-Cordense

Leitura de domingo

 

Numa parceria com a ABC - Arcádia Barra-Cordense -,
o TB publica três poemas que constam na primeira edição da Revista da Arcádia Barra-Cordense:
São de autoria de Angélica Alencar, Mauro Miranda e Artur Arruda.
Boas leituras!

 

Amar eternamente

*Angélica Alencar

Sim, faz com que eu veja o que tens de pior,
não me cubra de “nãos” que esse coração não ouve
bota a cara na porta o pé no mundo e destrói essa “obra prima”
“desinventa” essa substância que irrompe dos olhos teus
que o céu nunca muda e universo está congelado
e os passos são contados em direção ao passado
recria a ampulheta do desejo que regula essa alma
faz com que as notas musicais fiquem surdas
e que os poetas morram com suas mãos amputadas
amnésia os anjos depois que sorrires ao vento
pra que chuva não me traga o cheiro do riso teu
arranca das horas essa vontade que carrega meus pensamentos pra perto de ti
pedir que eu te esqueça fecha teus olhos !
não vês meu esforço para atender o único pedido que me fazes?
Teu querer não separa o gosto do sal dessas lágrimas do suor
que escorre desta fronte, numa luta solitária e vã.
acaba então com toda beleza de todos os mundos
pois até o que lembra o que é belo te reflete,
ou então te rendes como a tanto estou rendida
e aceita que há alguém nesta vida
te amará eternamente

*Angélica Alencar é poeta e escritora, mora em Barra do Corda (MA)

 

Lendas


*Mauro Miranda

No mato sem cachorro,
Onde o vento faz a curva,
No meio da encruzilhada,
A onça bebe água.

Pra lá do remanso,
Onde bate a orvalhada,
Na hora H,
Alma-de-bigode espia.

No dia da caça,
Ao som do regato,
Cigarra dá o tom....
Capelobo garganteia!

No dia do caçador,
Cio da madrugada,
Galheiro perde o ponteio
Na fumaça do pau de fogo.

No meio da encruzilhada,
Na hora H,
Cigarra dá o tom,
Coruja pia e lamenta...

*Mauro Miranda é poeta, músico e escritor, mora em Barra do Corda (MA)

 

Aconchego



*Artur Arruda

Estou de volta pra você;
Atendendo um pedido do teu olhar;
Que num sorriso me diz;
Que teu coração outra vez quer amar;
Refeito pronto e de saída;
Abra a porta, deixe-me entrar;
No íntimo da sua vida;
Agora o amor que faço;
É diferente da rotina;
O que eu não sei;
O desejo nos ensina;
O nosso amor é aconchego;
É paraíso, é fascinação;
Eu dentro de você;
Com você no meu coração.

*Artur Arruda é poeta e professor, mora em Barra do Corda (MA)

 

 

 


Crônica

O jardineiro do Senado
jornal Turma da Barra

*Raphael Castro
 

            23 de fevereiro, onze e meia, rodoviária de Brasília. Sob chuva torrencial, eu acabara de descer do ônibus. Há poucos minutos estava no Memorial JK, junto ao mausoléu do insigne presidente Juscelino Kubitschek. Como de lá eu ia a pés até o apartamento da minha tia, na 203 norte, e não queria ir na chuva, fiquei rodeando e procurei um lugar para sentar.
            Havia duas mesas, cada uma com seis cadeiras. Numa estava sentado um senhor, na outra, três jovens. Sem pedir licença, sentei na extremidade oposta daquela que havia uma pessoa e fiquei observando a chuva e a beleza da arquitetura do Congresso Nacional e dos ministérios.
            Além disso, o vai-e-vem intenso de mulheres belas me chamava atenção (eu pensava: incrível, até na rodoviária daqui tem mulheres belas e muitas mulheres belas!).
            Nos olhares perdidos, ao lado da mesa passa uma mulher belíssima, do tipo que inspira desejo e que os homens não receiam em olhar. Mas eu a observei rapidamente, fiquei de olho mesmo foi na cara de admiração que o meu companheiro de mesa fez (e agora me pego pensando em como é sublime observar as pessoas quando elas estão ‘olhando’ algo: o olhar cheio de verdades, timidez, incertezas, surpresas etc.). Quando ela se foi, ele olhou pra mim e disse: essa é tão linda que dá até câimbra no pescoço! Eu ri e concordei surpreso com o comentário.
            Nada melhor para iniciar um papo. Descobri que o nome daquele senhor era Valter. Era alto, mais ou menos 1,80m, pele morena, mãos calejadas. Não me atrevi a perguntar a idade, mas tenho certeza que tinha algo em torno de 50 anos, talvez 55, 56. Tinha o olhar encantador de uma criança. Olhava como se estivesse descobrindo tudo, aprendendo, com surpresa, como se tudo que via fosse novo e encantador.
            Já havia percebido (preconceito meu talvez) que ele não era natural do Distrito Federal.
             - O senhor mora aonde?
            - Eu moro em duas cidades, aqui (numa cidade satélite que não recordo o nome) e em Buritis, Minas Gerais. Trabalho aqui de segunda a sexta e passo os finais de semana lá.
            - O senhor faz o quê aqui?
            - Eu trabalho ali, respondeu, apontando para o Congresso. Trabalho como jardineiro.
            Ele disse também que tempos atrás trabalhou numa empresa (não citou o nome nem o ramo) e que através desse emprego viajou muito, conheceu vários lugares. Esteve em São Paulo e até no Iraque. Teve um momento que ele se viu obrigado a escolher entre Brasília e o Rio de Janeiro para trabalhar.
            - Eu não queria morar em nenhuma dessas cidades, mas mesmo assim escolhi Brasília. Depois queriam me transferir para o Rio e eu pedi pra dar baixa na minha carteira e estou aqui até hoje. Mas estou perto de me aposentar, e vou pra Minas, vou abrir um bar e vender cachaça. Não tem nada melhor do que vender cachaça, de vez em quando eu bebo um pouquinho também (e juntos, caímos na gargalhada).
            Depois perguntei aonde ele tinha nascido.
            - Eu nasci no Piauí.
            Na mesma hora pensei, só pensei: agora só falta ele dizer que foi em Oeiras!
            - Em que lugar seu Valter?
            - Em Oeiras.
            - É muita coincidência. Sabia que minha avó também nasceu lá?
            Ele silenciou e, nessa hora, percebi que perdi a confiança dele. No Brasil existe mais de cinco mil municípios, ele não ia acreditar que minha avó nascera justamente lá no interior do Piauí, inda mais na mesma cidade dele. Talvez eu quisesse impressioná-lo, pensou, e da pior forma, mentindo.
            Mas eu não estava mentindo, minha avó, Filomena Castro, nasceu realmente naquela cidade, que foi a primeira capital do estado do Piauí. Morou lá por longos anos com sua família, até 1970, quando se mudaram para a Barra. A maioria dos meus tios e minha mãe, inclusive, (a memória ia me falhando) são oeirenses.
            Isso me fez lembrar o que ocorre algumas vezes no momento da pesquisa acadêmica. O pesquisador tem que abrir mão de estratégias para tentar conquistar o seu informante/interlocutor, para assegurar a informação que lhe é significativa. É necessário que haja uma empatia entre os dois. Por exemplo, eu estava realizando uma pesquisa no interior de Alcântara, para meu curso de Ciências Sociais, quando troquei sem querer o nome do seu João por seu Ernesto, umas três vezes. Ele não só me ignorou durante o meu trabalho de campo, como ficou fazendo piadas comigo.
            O certo é que depois dessa, seu Valter ficou estranho comigo, como se tivesse medo das minhas poucas perguntas. Ele se retraiu no falar e nas respostas, ficou monossilábico e desconfiado. Decidi respeitá-lo e o papo foi perdendo a animação. Ficamos somente nos olhares de tudo ao redor.
            Já era perto de doze e meia, a chuva foi passando. Nos despedimos. Pela frente, seu Valter tinha duas horas e meia de viagem até Buritis. Despretensiosamente, tinha minha crônica sobre a viagem ao DF.
            Passei vinte dias em Brasília. Diverti-me bastante, reencontrei familiares, amigos, conheci novas pessoas (o professor Nonato Silva foi uma das mais importantes e surpreendentes). Dessa vez, não me arrisquei a ir ao Congresso e esperar mais de duas horas pra tirar foto com político nenhum. Sem querer, tive orgulho de conhecer seu Valter, o jardineiro do Senado, aquele que trabalha não nos palcos, mas nos bastidores, com as mãos, semeando e construindo vidas.

*Raphael Castro é estudante de Ciências Sociais da UFMA, mora em São Luís (MA)

(TB/29/mar/2009)

 

 

Conto

A Invasão
jornal Turma da Barra


*Urias Matos 


            Quando Marise entrou na sala percebeu que algo estranho acontecera. Todos tinham marcas, algumas maiores e evidentes, outras menores, dissimuladas. Em comum também a pasta cobrindo a epiderme avermelhada. Mas como acontecera? Preferiu não perguntar, afinal era sua primeira semana de trabalho, cidade nova, gente nova, ainda galgando as primeiras amizades, então, não poderia ser indiscreta, ou quem sabe intrometida, termo que aprendeu nos primeiros papos com a dona da pensão onde provisoriamente se hospedava, pois logo arrumaria uma casa de aluguel. Calculava seu tempo na cidade por volta de dois anos. Daí, depois de cumprido o estágio pediria transferência para a capital, onde desejava nunca ter saído, mas que o emprego público e o bom salário a obrigaram a fazê-lo.
            Com um bom dia cumprimentou a todos e mais rapidamente que o habitual, senta-se atrás de sua mesa e aquieta-se. Sentia-se estranha, aliás, estranha no sentido total da palavra: nova cidade, novos costumes, novo emprego e essa agora? Não conseguia compreender o que acontecerá com todos os colegas pois lembra-se perfeitamente do dia anterior, todos estavam bem, não havia essa espécie de queimadura em suas peles, e hoje, apesar delas aparecerem em praticamente todos eles não estranham, trabalham normalmente como se nada tivesse acontecido.
            Por sorte o tempo passa voando e logo chega o horário de almoço. A chuva cessara e finalmente o sol deu o ar de sua graça. No restaurante a mesma cena, apinhados, todos almoçam tranquilamente. Alguns exageravam na pomada branca que se espalhava pela roupa, principalmente na área do pescoço. Cidade estranha. Mais que rapidamente engole o almoço e recolhe-se no hotel, depois do descanso ainda teria uma tarde inteira pela frente, ou o pior, melhor nem pensar que ainda teria dois anos na cidade, que até apreciara no início, os rios, a praça, e até as pessoas, mas agora achava tudo muito esquisito.
            Por fim o dia chega ao fim. Mais que apressada volta à pensão, local agradável onde todos se reúnem na sala depois do jantar para ver televisão e bater papo. Mas hoje não, prefere o silêncio e o recolhimento do quarto. Depois do banho, cair na cama, não sem antes comer umas frutas – lembra-se da dieta – e dormir, esquecer o dia atípico e estranho e encarar o dia seguinte. Assim é a vida, cheia de lutas diárias e ela bem sabia disso. Deixou família e amigos em outro estado e se aventurou para uma cidade distante, desconhecida, o pouco que soube através da internet não fora suficiente, mas mesmo assim encarou, e no começo gostou, mas agora se sentia estranha, diferente, sensação esquisita de estar no lugar errado, apesar da boa recepção tanto no trabalho quanto na pousada. O pensamento viaja, sequer consegue ler o livro e sem coragem de se levantar para apagar a lâmpada, adormece.
            A sisudez turva do dia que nasce anunciava que a chuva não daria trégua mais uma vez. O friozinho atípico a segura na cama, mas levantar é preciso, trabalhar mais ainda, embora sentisse por dentro um misto de desânimo e medo, um misto de sensações que a deixavam desanimada, com vontade de não se aluir tão cedo, vontade de voltar a dormir e só acordar num tempo distante, ou quem sabe, melhor ainda, em casa, com a voz da mãe indicando que o café está pronto.
            Mas a dura realidade é que precisa correr. Dormira demais e o banho ficará para depois. Desce as escadas e hoje percebe que também a maioria dos outros hóspedes também está marcada. Apanha dois pedaços de bolo, um copo de suco e umas frutas e senta-se recolhida na mesinha de canto, tudo continua estranho. Imagina-se num filme de ficção cientifica onde as pessoas são abordadas por um extraterrestre, uma invasão. Balança a cabeça e tenta afastar o pensamento bobo. Engole tudo rapidamente, quer sair dali, respirar ar puro, agora já caem os primeiros pingos de chuva. Precisa de ar.
            Na saída cumprimenta dona Elide, a dona do hotel, e sai pelo corredor a caminho da porta quando escuta seu chamado:
            - Marise, bom dia, você vai sair desse jeito, com esse chuvisco? Acabou de tomar café, ainda tá cedo. Pergunta a doce senhora em tom de preocupação.
            - Ontem deixei muita coisa por fazer dona Elide, preciso chegar cedo pra terminar.
            - Venha cá, seu pescoço está avermelhado.
            Marise se aproxima meio assustada. A senhora chega perto de seu pescoço e em tom de preocupação afasta a blusa.
            - Você não está sentindo nada?
            - Não senhora.
            - Pois fique ai quietinha. Tenho uma pomadinha aqui que é muito boa. Assim como todos na cidade você foi mais uma vítima dos potós. Seja bem-vinda ao clube.
            - Mas o que é isso dona Elida?
            - São uns malditos bichinhos vermelhos que soltam um líquido que queimam a gente, a cidade foi invadida, uma verdadeira praga. Mas não se preocupe, vou passar essa pomadinha e logo você estará bem. Mas um aviso de amiga, não durma com a luz acesa, eles adoram, são uns danados.
            Marise se contorce e deixa que a velha senhora espalhe a pomada. Em seguida, sai apressada. Ao cruzar a porta começa a rir, um riso alto, descompassado, ri de si mesma, da situação que criara, dos pensamentos atormentados e agradece por não ter contado sua suspeita. Invasão de extraterrestres! Coisa de menina de capital, menina mesmo. E segue pela rua, sente-se novamente em casa, na cidade dos potós.

*Urias Matos é poeta e escritor, mora em Barra do Corda (MA)

(TB/29/mar/2009)

 

 

Conto


Eu, Tu e o Piraca
jornal Turma da Barra


*Mário Helder


      EU era um cidadão de bem, comerciante arrojado bem-sucedido, situado na rua Formosa, hoje Frederico Figueira, do ramo miscelânea. Cabra de palavra, desses que quando diz tá dito, tipo “prego batido ponta virada”, organizado, metódico desses que nunca ralou um trato.
      TU era um jovem que estudava em Brasília, estava de férias, tinha espírito aventureiro e gostava de caçar. Procurou o empresário amigo para fazer uma caçada ali para as bandas da mata do Ermo, mas foi convencido que era melhor caçar cotias nos Três Tocos, próximo ao Baixão do Caititu.
      PIRACA era um velho jogador de dardos no copo, famoso caipira, que consistia em três dardos viciados, é claro, onde ninguém conseguia ganhar, ficava ali na esquina do Buru, jogavam noite inteirinha. Nas horas vagas se intitulava de caçador profissional, onde sua maior virtude era encontrar as esperas que as definia pelas pisadas dos bichos. Na verdade ele possuía vários pés (secos) de caça do tipo Veado, Cotia e Tatu. Costumava com esses pés fazer rastros debaixo das árvores para depois vender ou trocar por mantimentos, do tipo arroz, feijão, açúcar, café, farinha etc, para fazer o serviço. Além do famoso comerciante, ele tinha também como freguês o coletor da cidade que costumava pagar os serviços com uma sexta básica em espécie.
      Foi com as melhores das intenções que o folclórico comerciante convidou o Piraca para uma caçada de cotia nos Três Tocos, isto para agradar o estudante que acabara de chegar da Capital Federal. Claro que o Piraca topou e foi logo tratando de marcar o dia, para que tivesse tempo de fazer o serviço, ou seja, os rastros das Cotias para trapacear os companheiros e com isso ganhar sua sexta.
      Pois bem, tudo combinado inclusive o que cada um deveria levar, pouquíssima coisa, pois a caçada era de um dia só e como estava muito pisado era só ir buscar as lebres.
      No dia certo, na hora certa o estudante chega na casa do comerciante com um jipe Williams verde, ano 1963, para apanhar o comerciante e o Piraca. Após o embarque dos dois o Piraca foi logo pedindo para passar na casa de um amigo, coisa que não havia sido combinado e foi então reprovado pelo comerciante, que foi logo dizendo em alto e bom som: essa caçada não vai prestar, pois era para ir só EU, TU e o Piraca. Para nossa surpresa e espanto o amigo do Piraca apareceu com mais três companheiros que não estavam nos planos e mais vez o comerciante disse: a caçada não vai prestar, muita gente era para ir só EU, TU e o Piraca. Mesmo contrariados partimos com o jipinho carregado de caçadores. Chegando ao local certinho da grande caçada, o chão estava apinhado de rastro de Cotia, as esperas estavam bem preparadas. O Piraca pegou logo o saco de frito saiu comendo uma perna do Capão e foi dizendo, vocês vão lavar a burra, viram como está pisado? Tratou logo de colocar os dois amigos nas suas respectivas esperas, mostrando as veredas de onde sairiam as Cotias. Os outros quatro que não foram convidados o Piraca mandou-os cair mata dentro e foi junto. Ficaram os dois iludidos, cada um na sua espera e de olho na vereda, pois as Cotias já estavam a caminho como se ele tivesse combinado com as bichinhas. Passaram algumas horas e nada de aparecer coisa alguma, quando o comerciante muito aborrecido foi onde o companheiro e desabafou: a caçada não vai prestar, pois eu disse que era para vir só EU, TU e o Piraca, mas não tem nada, presta atenção para o jeito das pisadas, elas vão apontar bem ali na boca da vereda, a cena se repetiu várias vezes e claro que as lebres não existiam.
      Os outros foram para longe e de vez em quando se escutava um tiro, o que fazia com que o comerciante dissesse mais uma vez, tá vendo esse tanto de gente só veio atrapalhar, era para vir só EU, TU e o Piraca.
      O tempo passava e a noite chegava e as tão esperadas Cotias não apareciam mesmo, o comerciante mais uma vez bradou, o Piraca nos enganou e ainda levou o frito não tem cotia coisa alguma, bem que o coletor me disse que ele já tinha feito uma dessas com. ele. Mas, como para se vingar não se sabe do que, bradou mais vez essa caçada era para vir só EU, TU e o Piraca por isso que ela não prestou.
      Já quase em cima das 18 horas, chegam os intrusos ou melhor, os verdadeiros caçadores, dos tiros que ouviram, foram mortos cinco Jacus e um Tatu, o comerciante criou alma nova, pois pelo menos a vergonha que iria passar diminuir e disse logo: vamos dividir as caças e a maior parte vai para o dono do jipe e sobraram uns belos elogios ao Piraca.
      Finalmente voltaram todos para suas casas e o comerciante ficou por último, como também pela última vez repetiu: a caçada era para ser melhor se tivesse ido só EU, TU e o Piraca.. Mas afinal quem fez a verdadeira caçada foram os três penetras que o Piraca sabidamente convidou.

*Mário Helder Ferreira é poeta e escritor, mora em São Luís (MA)

(TB/29/mar/2009)

 

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