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Matéria 1

 


A caricatura do movimento
estudantil brasileiro

jornal Turma da Barra

*Alex Macedo

                O movimento estudantil brasileiro vive uma crise? A maior entidade representativa dos estudantes brasileiros (UNE) está, de fato, longe de atender aos interesses daqueles que ela representa? Muitos são os questionamentos e discussões a respeito desse dilema.
                Mas o fato é que, como em qualquer outro palco de deliberação, o movimento estudantil apresenta sim seus vícios, com os quais dificulta o atendimento aos anseios triviais de estudantes das diversas universidades do país.
                Exemplos?
                Coloquemos em pauta o que rotineiramente aparece em palcos deliberativos, como o que recentemente vimos na Universidade de Brasília, onde se realizou o 50º Congresso da UNE. Para muitos aquele Congresso apenas ratificou a hegemonia da União da Juventude Socialista - UJS.
            Há mais de 20 anos hegemônica na entidade, a UJS esteve sempre no controle da diretoria majoritária nesse período. Isso faz com que propostas diferentes não sobreponham sobre aquilo que interessa à juventude filha do Partido Comunista do Brasil.
            A UJS é acusada por muitos de aplicar um golpe. Uma mudança feita no regimento do Congresso da União Nacional dos Estudantes, realizada no Conselho Nacional das entidades de Base (Campinas, 2006) e aprovada em plenária no Conselho Nacional de Entidades Gerais (Rio de Janeiro, 2007), reduziu o número de delegados a participarem do último congresso da UNE realizado em Brasília-DF.
            A oposição da diretoria majoritária, volta e meia, levanta voz para a preocupação dos estudantes que representam essa força estarem voltadas simplesmente para a tiragem de delegados, o que para tal não se medem esforços.
            Assemelham-se a políticos que visitam seus municípios eleitorais, somente o fazendo em período de eleição. Os integrantes dessa majoritária, com suas articulações regionais, muitas vezes freqüentam, quando o fazem, as universidades brasileiras para a referida tiragem sem se importarem com os anseios daqueles que estão vivenciam o mundo acadêmico em que estão visitando.
            Como as eleições ocorrem de forma congressual, sendo a votação das propostas consensuais e divergentes, por exemplo, feita com o levantamento de crachás, ou seja, votação é feita por uma avaliação visual, o importante é a maior tiragem de delegados. E isso privilegia aqueles que estão no poder. Os quais também fazem uso da máquina administrativa. Sim, é como se fossem prefeitos, governadores ou afins, em campanha de reeleição, usando o dinheiro público para se beneficiarem.
            E esse predomínio é visto até mesmo ao olharmos os convidados das mesas de debates. Verifiquemos, por exemplo, o painel sobre reforma política. Convidados: Roberto de Figueiredo Caldas – presidente da OAB, Flavio Dino – deputado federal/MA, Luiz Sergio – deputado federal/PE, Plínio Arruda Sampaio – ex-deputado federal e Pepe Vargas – deputado federal/RS. Ou seja, dois deputados do PT, um deputado do PC do B, um representante da OAB e um ex-deputado federal filiado ao PSOL.
            Na defesa da reforma, como querem fazer com lista fechada, a qual privilegia os donos do poder (sobretudo o velho cacique político), à exceção de Plínio de Arruda Sampaio(PSOL-SP) e, digamos, do representante da OAB, todos são favoráveis à valorização desse “caciquismo”. Ainda bem que o ex-deputado federal, filiado ao PSOL, tem uma carga intelectual e política que fez com que a disposição da mesa não trouxesse desvantagem, tal qual o número dos integrantes da mesa. São as garras dos velhos políticos enfiadas no movimento estudantil.
            E a oposição? A oposição se diversificou em várias teses, com um número de delegados obviamente inferior aos da tese “Quero botar meu Bloco na rua” e das demais que se uniram à chapa ‘1º de Fevereiro’, da qual saiu a nova presidente da UNE.
            Articulados na Frente de Oposição de Esquerda – FOE- faltou mais unidade às diversas teses oposicionistas. Com um número de delegados inferior, o ideal seria uma unificação, de fato, na “Frente” para marcarem, como era a intenção, uma oposição forte. Porém, creio, que a discussão de quem colocaria quem na executiva desgastou o bloco da FOE.
            Mesmo com esses desgastes, ainda conseguiram se fazer presentes. Nos debates, nas plenárias (com as óbvias condições adversas) se puseram firmes. Ainda que fossem colocados pelos governistas como “sem conteúdos”.
            Para a quebra da hegemonia da UJS na entidade, se faz necessário uma união oposicionista, que não se desprenda por conta de simples barganha, preocupada em simplesmente colocar membros na executiva.
            Há quem diga que o 50º CONUNE foi produtivo para a oposição. Para Bruno “Chão”, por exemplo, estudante de História da USP, o importante é marcar a presença da oposição. Digo mais, Bruno, o importante é marcar a presença da oposição, solidificá-la e proporcionar as mudanças que, há muito, necessitamos, quebrando com os vícios que a cada dia deixam o Movimento estudantil no descrédito. 

*Alex Macedo é repórter especial do TB, estudante de História da Universidade Estadual de Goiás