Reportagem
Os mototaxistas de Barra do Corda
jornal Turma da Barra
Mototaxista Alcioney
um dos primeiros mototaxistas
em frente ao jeep que era do lendário Frei Alberto
*Álvaro Braga
Voltando à questão da cobertura previdenciária, o mototaxista consciente dos riscos de sua profissão tem o dever de pensar em seu futuro. Para tanto deve buscar fazer a sua inscrição no site da Previdência Social: www.previdenciasocial.gov.br e escolher a classe de opção: Contribuinte Individual na categoria Facultativo, que tem a vantagem de não necessitar comprovar a profissão no ato da aposentadoria e ainda recebe do governo federal o incentivo de sair da informalidade com um percentual reduzido de 20% (vinte por cento) para apenas 11% (onze por cento) sobre o salário mínimo vigente. O valor a ser pago mensalmente em GPS (Guia de Recolhimento da Previdência Social), fica atualmente em torno de R$ 58,00.
A classe dos mototaxistas de Barra do Corda carece de um mínimo de organização, em que pese o sentido de cooperativismo e até de corporativismo.
A reclamação maior dos mesmos é sobre o fato de nunca haverem recebido amparo formal do poder legislativo e executivo municipal, de todos os governos anteriores, sendo usados por estes representantes em campanhas políticas, apenas com promessas de apoio ao fortalecimento da classe, que nunca ocorreu.
Primeiros anos
Segundo o mototaxista Alcioney, filho da professora Djanira, o primeiro ponto de mototaxistas de Barra do Corda foi no Bar Entre-Rios, no local perto da parede da TV daquele estabelecimento, em setembro de 1995.
Naquele local, chegou à Barra do Corda um rapaz de nome Paulo de Tarso, que veio da cidade de Balsas e, em conversa com Alcioney, deu-lhe a idéia de que a Barra já era uma cidade grande, progressista e comportava o transporte mototáxi como alternativa aos usuários de transportes urbanos, tendo em vista a histórica dificuldade em haver linhas regulares de ônibus, pela acidentada geografia da cidade.
Alcioney percebeu que as motos existentes eram de pequeno porte, como as vespas de Ivan e Célio Pacheco; as Garellis; as Xispas; as cinquentinhas; entre outras.
Então Alcioney cedeu o ponto e Paulo de Tarso iniciou a empreitada. No início encontrou muitas dificuldades com a falta de clientes, e o ciúmes dos taxistas, mas depois a coisa caiu no gosto popular e a procura foi grande. O colete era da cor laranja e os primeiros mototaxistas, com motos arrendadas foram Joel e Henrique, com moto alugada ao Paulo. A corrida na época era R$ 1,00 e o litro da gasolina era R$ 0,49. O ponto chegou a ter 4 motos e o pagamento pelo ponto era de R$ 5,00 para cada mototaxista. Amédio também colocou ponto de mototáxi na rua Magalhães de Almeida.
Alcioney, vendo que só haviam motos em estado precário, sem capacetes, com pneus velhos, pensou em investir no negócio e vendeu um velho Corcel I que possuía, comprando em seguida uma moto XR-200, alta, pneu abiscoitado, uma verdadeira revolução na época, já pensando no futuro, e também iniciou no ramo.
Nesse tempo Paulo de Tarso já havia mudado de local e estava fazendo seu ponto no Amédio cabeleireiro, passando depois para o Balneário Guajajara.
Simultaneamente e após apareceram diversos pontos de mototaxistas, como o futebolista e mototaxista Jair no ponto do Calçadão da praça Getúlio Vargas; o Roberto mototaxista; o Bin Laden (Barba), que havia saído da Copaba; o Euriquinho do Bola Sete, próximo ao Bradesco; um ponto na Altamira, onde havia o mototáxi Domingão e outros.
Na Tresidela, os pontos mais famosos foram o Amazonas e o mototáxi Brasil, na feirinha, e em 1999 houve o ponto do bar Play Time, onde ficou trabalhando o Joab.Também havia o ponto do Posto Barra do Corda, do Caicó.
As motos, em sua maioria eram da marca Honda-CG, cor vermelha e branca.
Nesse período apareceu morto o mototaxista Raimundo, fato que desencorajou muitos outros a seguirem a profissão. Mas a opção do transporte de moto já havia pegado e o público passou a reivindicar a oferta de mais e mais profissionais.
Nunca a classe cuidou de fazer um Sindicato para a categoria, como forma de organização, em Cooperativa, ou ao menos no sentido de fazerem uma inscrição previdenciária que pudesse salvaguardá-los de um acidente de trabalho, de doenças ou mesmo para fins de aposentadoria e pensão aos dependentes.
Acreditamos que Barra do Corda cresceu muito, e sendo assim, já é momento de se pensar no fato de todos andarem com documentação do condutor em dia, motos regularizadas com capacetes para usuários, visando o conforto e segurança para os mesmos. Em suma, pensar em investir em seu veículo a fim de proporcionar um melhor serviço aos usuários.
As mulheres não poderiam ser esquecidas já que também fazem parte da categoria. Conta o Barba, que a primeira mulher mototaxista foi a Sílvia e a 2ª foi a Dalvina, que atualmente faz projetos e mora na Cohab. Barba ou Bin Laden iniciou no ramo em 1999 e diz que comprou o colete do Nascimento, um dos primeiros mototaxIstas no ano de 1997, quando esse foi para São Paulo. Segundo ele também teve o Francisco do Neguinho; no ano 2000 teve o Francisco (Brasil) que iniciou na mesma época do Jumentinho.
Pensando no futuro
Regularização
Com a regulamentação associativa que um dia terá de acontecer, os veículos teriam que ser padronizados, em cores uniformes e numeradas como manda a legislação, ao passo que o capacete do passageiro também teria que ser uma obrigação, pois ele foi idealizado em todo o mundo para servir de proteção ao passageiro e não apenas ao condutor.
*Álvaro Braga é pesquisador, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Barra do Corda
Mototaxista 'O Barba'
Também conhecido como Bin Laden
(TB20fev2011)