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Matéria 1

 


Merck explica situação
jornal Turma da Barra



A assessoria de Imprensa da Merck envia carta ao TB
contendo explicações sobre o caso que envolve a Fazenda Chapada [Merck]
e a empresa piauiense Vegeflora, de Parnaíba.
Segundo a carta, a Vegeflora está inadimplente [com dívidas] com a Merck desde 2002,
quando o grupo Centroflora, de São Paulo, comprou a fábrica de Parnaíba (PI),
mas "até hoje não concluiu o pagamento".
Acrescenta que em dezembro de 2007, a Merck entregou 75 toneladas de folha de jaborandi,
também não recebeu pagamento.
Leia a carta na íntegra:

 

"Rio de Janeiro, 05 de dezembro de 2008.

A Merck é uma empresa que atua no Brasil há mais de 85 anos e sempre pautou a sua conduta de forma ética, moral e cumprindo os ditames da lei. Por todos os Estados que instalou unidades, Maranhão e Piauí, a Merck conduziu suas ações pautadas, primeiramente, no respeito pelos seus habitantes. Apesar de estar consternada com a situação dos funcionários da Vegeflora, empresa instalada em Parnaíba (PI) a Merck  deixa claro que ela não é responsável pela seu infortúnio. A única responsável, na realidade, é a própria Vegeflora, que, infelizmente, não vem honrando os seus compromissos contratuais.

Nos últimos meses, notícias vêm sendo veiculadas em portais da internet sobre as questões envolvidas na disputa entre a Merck e a Vegeflora, que, com o devido respeito, não revelam a realidade dos fatos. A última notícia trata da divulgação de uma carta, com forte apelo emocional, de supostos ex-colaboradores da Vegeflora à população do Estado do Piauí. Sendo assim, a Merck se vê obrigada a prestar alguns esclarecimentos.

Antes de tudo, cumpre informar que a Merck confia plenamente na isenção e competência do Poder Judiciário, em todas as suas instâncias, e que não se trata de buscar o favorecimento de um lado ou outro, mas tão somente de se buscar a verdade como base para um entendimento. Agir com correção, ter uma conduta ética, não é uma questão de porte (se a empresa é grande ou pequena) ou de origem (se a empresa é local ou multinacional), mas de responsabilidade e compromisso para fazer o que é certo.

A base das alegações da Vegeflora se assenta na premissa equivocada de que a Merck teria descumprido o contrato celebrado entre as partes em 2002, impedindo a empresa de continuar operando.  Essa premissa não corresponde à verdade dos fatos e tem sido utilizada de forma ostensiva para tentar descaracterizar o foco central da disputa.

A situação é bem diferente do que vem sendo noticiado pela imprensa. É preciso deixar claro, desde já, que a Vegeflora está inadimplente em montante considerável junto a Merck. Em 2002, o Grupo Centroflora, sediado no Estado de São Paulo, comprou da Merck a fábrica localizada em Parnaíba, mas até hoje não concluiu o pagamento. Apesar disso, a Merck tem cumprido integralmente os termos do contrato, fazendo o possível para auxiliar a Vegeflora em suas operações desde o início, não só prorrogando prazos para o pagamento das dívidas, mas inclusive, tendo ministrado todo o treinamento necessário para a produção em Parnaíba. Em dezembro de 2007, a Merck entregou mais de 75 toneladas de folha de jaborandi, em um valor acordado entre as partes, e também não recebeu qualquer pagamento até hoje. A Vegeflora, entretanto, exportou uma tonelada de pilocarpina em abril do corrente ano, e recebeu quase R$ 3 milhões por essa venda, sem ter pago à Merck pelas folhas recebidas.

Não fosse isso, a Merck foi acusada de reajustar o preço das folhas de jaborandi de forma abusiva. Na verdade, o que se deu foi a mera atualização do preço histórico das referidas folhas, como prevê o contrato em vigor. O preço que a Vegeflora pretende pagar é inferior não só ao originalmente estipulado no início do contrato, há 6 anos atrás, como inferior também ao preço cobrado pelos vendedores de folhas nativas, fruto de mero extrativismo. É bom deixar claro que a produção de folhas implica em custos consideráveis, muito distantes do mero extrativismo.

De toda forma, em clara demonstração de apoiar a continuidade dos negócios, a Merck, na tentativa de solucionar o problema, já tentou, em um claro esforço, reduzir o valor cobrado pelas folhas de jaborandi. Esse esforço da Merck em reduzir o seu preço nunca foi retribuído pela Vegeflora, que recusou, sistematicamente, todas as propostas que lhe foram feitas. Ou seja, a alegada dificuldade econômica e mesmo a suspensão das atividades da fábrica, tão repetida na mídia eletrônica, não se deu por má vontade ou má-fé de um monstro multinacional para destruir uma pequena empresa em Parnaíba. O que de fato ocorreu foi à recusa da Vegeflora em pagar um preço justo pelas folhas de jaborandi.

Vale mencionar que a questão será resolvida por arbitragem conforme escolhido pelas partes quando da assinatura do contrato. Procedimento esse que já foi iniciado e está tramitando perante o Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA) no Rio de Janeiro.

Desta forma a Merck espera ter esclarecido sua posição frente às questões que vêm sendo debatidas, principalmente nos sites, agradecendo a oportunidade de se manifestar. Informa, por fim, que não irá prosseguir na discussão sobre o caso junto à mídia. Como se disse, a questão está posta perante o CBMA que decidirá finalmente a matéria.

Atenciosamente,
Renato Senna
Diretor de Produtos Naturais

Merck S.A."

(TB/06/dez/2008)