Dia dos namorados
Jornal Turma da Barra
*Humberto Madeira
Se você
nasceu no mês de março, provavelmente você é fruto do dia dos Namorados. Foi
gerado a partir desta data, noite em que os casais rememoram o amor. Neste
dia as pessoas estão ansiosas, querendo sempre um namorado ou namorada.
A data se
transformou numa espécie de comemoração dos que se amam, também é propícia
para as reconciliações e, acredite, essencial para novas amizades. É que
nesta noite sempre tem gente solteira nos bares e restaurantes trocando
olhares e, provavelmente, pensando: Ano que vem não quero estar solteira,
ai que tédio. Pior ainda quando passa aquele casal, ela com flores, ele
provavelmente com uma camisa nova. Ou então tem aquele casal trocando beijos
na mesa ao lado, coisa chata... A gente não tem mais privacidade (rs).
A mulher como
um ser fisiologicamente mais sensível, fantasia mais, espera, planeja.
Geralmente elas lotam as lojas de shopping, olham todas as vitrinas, ligam
para o amigo, perguntam o que o namorado provavelmente gostaria de ganhar.
Acredite tudo é possível.
Tenho pensado
ultimamente em montar uma consultoria para esta época, cobrar por consulta,
acompanhar as amigas ou futuras clientes ao shopping, escolher o presente de
acordo com o namorado.
Já os homens
sempre deixam para última hora e quando compram o presente esquecem o
cartão, dissimulam, pensam em não gastar muito. Via de regra, os homens
quase nunca planejam esta data. Esperam acontecer, tudo ao acaso. E se o
namoro for recente, aí lascou. Muitas vezes nem tem presente. Poxa nem
lembrava que hoje era dia dos namorados. Lembrava sim, o cara de pau não se
preocupou mesmo em comprar nada. Mas provavelmente ganhou algo.
No dia dos
namorados podem observar: elas sempre estão arrumadas, cabelo na chapa,
salto quinze, roupa nova, cheirosas, sorridentes, maquiadas, felizes. Os
restaurantes estão todos lotados: velas acesas, um solo de sax, rosas
vermelhas, um violino, taças dispostas, um bom vinho. A música executada
provavelmente é She, do francês Charles Aznavour, ou Fascinação,
eternizada na voz da Elis Regina. O ambiente à meia luz, a poesia deixa o
lugar tal qual a letra, tonto de emoção. As pessoas estão sorridentes,
felizes, como se tudo fosse eterno.
O dia dos
Namorados, além do mais se transformou num bom negócio. Os cinemas de igual
forma estão cheios, empregos temporários em lojas para atender o consumidor
ou consumidora. Tem mais: os motéis também estão lotados, sem vaga nem no
estacionamento.
Outro dia li
uma matéria sobre as novas tendências nas relações. Homens e mulheres estão
preferindo, segundo pesquisa, relacionarem-se com pessoas conhecidas: amigos
da família, de infância, amigos de trabalho ou até primos. Esta tendência
seria uma forma de evitar problemas, diminuir o processo de conhecimento e
até a diminuição na possibilidade de um crime passional, pois envolvem duas
famílias que se conhecem. Por isso sua cara metade pode estar ao lado.
O dia dos
Namorados é igual em todos os países, em muitos casos diferem apenas as
datas. Há quem diga que é uma data chata, sem graça. Há quem esteja feliz,
planejando pedir ou anunciar o noivado.
Pra quem está
namorando, feliz dia dos Namorados. Pra quem está solteiro, aproveite para
ir àquele restaurante ou à boate, não fique em casa se lamentando. Acredite,
tem gente na sua situação, procurando alguém, quem sabe pra se lamentar ou
compartilhar esta noite que, a meu ver é diferente de todas as outras.
Boa caça, bons beijos e feliz dia dos
Namorados.
*Humberto Madeira é estudante de Medicina
em Cochambamba Bolívia
(TB/12/jun/2009)
Estudante desaparece em Cochabamba
Um
colega nosso, estudante brasileiro, desapareceu tentando escalar uma montanha
aqui perto de Cochabamba.
*por Humberto Madeira
O estudante
de Teologia, Rodrigo Soares Oleinski, de 25 anos, desapareceu ao tentar
escalar o monte Sajama, um vulcão extinto na cordilheira do Andes de 6.542
metros de altitude, no Estado de Oruro, fronteira com o Chile. Rodrigo teria
ligado para a mãe que mora em Canoas no Rio Grande do Sul no dia 28 de
outubro, avisando que iria escalar a montanha para rezar e ficar mais perto
de Deus.
O monte
Sajama é uma região afastada das grandes cidades, um vulcão fora de
operação. O clima da região invariavelmente é frio todo o ano. A temperatura
média é de 9 graus centígrados. A região é habitada pelos povos Chipayas,
que se comunicam através dos idiomas Aymara y Quechua. O Sajama é um dos
mais altos da América do Sul e muitas vidas já foram perdidas tentando
vencê-lo. Além do oxigênio escasso da altitude e da neve, o Sajama esconde
perigos como assaltantes que vivem na montanha.
A prática de
subir montanhas nessa região é muito comum. Ano passado fiz parte de um
grupo de 15 estudantes que escalou o Tunary, montanha da cordilheira dos
Andes que tem 4.500 metros de altitude. A caminhada que durou cerca de 8
horas nos proporciona uma visão maravilhosa dos Andes e da neve, além de
animais que só sobrevivem nas altitudes como a Alpaca e a Lhama - mas a
sugestão é nunca ir sozinho, pois há relatos de ladrões que atacam turistas.
Rodrigo foi
visto a última vez por uma pastora, no dia 1º de novembro a 4.532 metros, no
lado sul da montanha, que está coberta de neve.
O irmão de
Rodrigo que está na Bolívia disse que a ajuda do governo brasileiro no
sentido de encontrá-lo é muito pouca, afirmou. Há anos ouve-se falar que o
trabalho do Consulado brasileiro em Cochabamba é insuficiente, que o apoio
do serviço consular em casos de crise, seria ineficaz. A família pede um
helicóptero para ajudar nas buscas.
O Consulado
brasileiro em Cochabamba informou que está dando total apoio à família.
*Humberto Madeira é estudante de Medicina
em Cochambamba Bolívia
(TB/15/nov/2008)
Bolívia sofre enfrentamentos
Barra-cordenses esperam desfecho
*por Humberto Madeira
Fornecimento
de gás suspenso, transporte público paralisado, abastecimento de água
potável cortado, postos sem gasolina, supermercados fechados, exército nas
ruas, mortes, disparos e enfrentamentos, assim têm sido os últimos dias na
Bolívia, país que abriga mais de 10 mil brasileiros, entre eles estudantes
barra-cordenses que estudam medicina.
Os conflitos
se concentram nos estados que fazem oposição ao presidente Evo Morales, que
esta semana decidiu declarar persona non grata, o embaixador americano
Philip Goldberg, cortando relações diplomáticas com aquele país. O partido
de Morales acusou o embaixador americano de apoiar conflitos e incentivar a
violência armada nas ruas.
Grupos
armados se enfrentam pelas cidades e pedem a emancipação econômica e
política dos estados de Tarija, Beni, Santa Cruz de la Sierra e Pando. Os
reflexos dos enfrentamentos são sentidos em todo o país.
A cidade de
Cochabamba, a 386 km da capital La Paz, amanheceu este sábado sem transporte
público, sem fornecimento de gás natural, com a polícia nas ruas e
estudantes pedindo a renúncia do presidente. Escutam-se disparos com
freqüência, o Consulado brasileiro em Cochabamba orienta que os brasileiros
não saiam de casa e, que façam cadastro pelo telefone para que o governo
brasileiro possa fazer a retirada dos cidadãos em caso de emergência.
A reportagem
do TB conversou com o Cônsul Álvaro Campos Oliveira, em Cochabamba, que
informou que o Itamaraty ainda não se pronunciou a respeito de um possível
resgate dos brasileiros, e adiantou que nas próximas horas os conflitos
podem dar uma trégua, restabelecendo a paz e a ordem no país vizinho.
As companhias
aéreas Gol e América Air Lines suspenderam vôos para o país. A Tam continua
operando para a cidade de Cochabamba. A maioria dos aeroportos foi tomada
pela população. A imagem e os acordos internacionais estão em descrédito.
Organismos como o Banco Mundial anunciam que vão estudar com cuidado
empréstimos ao país.
A Bolívia é
uma república democrática não federalizada, os impostos arrecadados pelos
nove estados e pelos municípios são destinados diretamente ao governo
federal, que canaliza as verbas de acordo com a necessidade e conveniência
política.
A economia do
país gira em torno do comércio, da agricultura e dos envios de recursos dos
bolivianos que moram no exterior, além dos aluguéis que movimentam mais de
um milhão de dólares anualmente.
A capital política é Sucre e o país tem
hoje cerca de 9 milhões de habitantes, segundo o último censo, sendo 65% de
etnia indígena. O contrabando de drogas para América central, EUA e Europa
tem sido o calo do governo Evo Morales que tem apoio dos produtores da folha
de coca, matéria prima para o refino da cocaína. O Congresso americano
anunciou hoje a retirada de apoio ao país, que tem quase 1 milhão de pessoas
na miséria, um índice muito alto de analfabetismo e uma história de luta
armada em favor da democracia.
*Humberto Madeira é estudante de Medicina
em Cochambamba Bolívia
(TB/13/set/2008)
Samu é vítima de trotes
*por Humberto Madeira
O telefone toca, um solicitante está na linha, ele informa sobre um acidente que não aconteceu. Uma ambulância com pessoal treinado é deslocada, alta-velocidade, a vida de um paciente que não existe está em risco. Parece filme, mas é verdade e está acontecendo em Barra do Corda diariamente.
Os trotes são responsáveis por boa parte do que deveria ser um atendimento de verdade, diante de um serviço tão sério. Segundo o ministério da Saúde, o SAMU (Serviço de Atendimento Médico Urgente), tem como objetivo reduzir o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as seqüelas decorrentes da falta de socorro precoce. Na Barra o serviço de urgência do SAMU está sendo prejudicado pelo alto índice de trotes que recebem via telefone.
Durante uma emergência médica, seja em caso de acidente automobilístico ou paciente com enfermidade que requer atendimento profissional urgente, é imprescindível o tempo que este paciente receberá os primeiros atendimentos. Quanto antes ser atendido, maiores são as chances de vida do indivíduo. Enquanto aquela viatura estava sendo deslocada para atender a um acidente que não existiu, o telefone volta a chamar, dessa vez um paciente com complicações cardíacas passa mal, sabe quem era? Eu ou você, que podemos ser a próxima vítima. O TB pede aos usuários que não pratiquem este ato delituoso que atenta contra a própria vida.
*Humberto Madeira é estudante de Medicina em Cochambamba Bolívia