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Matéria 1

 

Homenagem
Nos 50 anos da Universidade de Brasília
jornal Turma da Barra

 


Professor Nonato Silva na praça dos Três Poderes
ao lado do monumento ao JK em Brasília  (DF)
Foto da década de 70

*Nonato Silva

         Sim! 21 de abril de 2012!
         Gloriosamente reinante, A Universidade de Brasília completa seus 50 Anos, na beleza e na grandeza de sua história.
         E, para homenageá-la, transcrevo, para essa data, artigo que escrevi, intitulado “A Universidade de Brasília”, publicado na revista brasília, nº 49, janeiro de 1961, página 11.
         Ei-lo, na íntegra:

         “Mercê de Deus, plantou-se no coração do Brasil a nossa nova capital. O determinismo histórico de nossa vida social e civil impôs-nos essa magnífica realização, atestando o poder criador de nosso povo e de nossa administração.
         Sabe-se que em Brasília tudo é revolucionário, tudo é audácia, tudo é fantástico mesmo. A revolução urbanística e arquitetônica produziu o que de mais surpreendente se pode conceber de avançado no domínio da criação intelectual de nosso povo.
         Também em Brasília o ensino é revolucionário. As escolas derramam-se proporcionalmente ao número de habitantes por quadras e superquadras. Os jardins-de-infância, as escolas-parque e as escolas-classe funcionam em regime de tempo integral, dando já os melhores frutos.
         Aqui, porém, me proponho a estudar a erigenda Universidade de Brasília. Sabemos que ainda não há, no Brasil, nenhuma universidade verdadeira governamental. Caracteriza uma universidade o conjunto de faculdades e institutos científicos, funcionando na mesma área, onde os estudantes e os professores encontrem o substrato para as pesquisas e quejandos.
         A Universidade de Brasília, dá, de fato, oportunidade para uma nova estrutura experimental no ensino superior.
         Infelizmente, o que até agora se chamou de universidade foi a decretação, no papel, de várias escolas funcionando isoladamente. Certo que a isso não se pode chamar universidade. É um erro a corrigir-se. Surge então a estrutura da Universidade de Brasília, toda vazada em novos moldes e fundamentada em novas concepções, que motivarão novas experiências e novas arrancadas, pela homogeneidade das escolas.
         Atualmente, o sistema de cátedra está prejudicando, a homogeneidade das escolas universitárias, pela não permissão de formar equipes atuantes. A cátedra vitalícia produz o relaxamento e a desídia que aí estão. E mesmo os indivíduos bem dotados se recusam a submeter-se a exames de catedrático, porque não sabem quando haverá vagas. As cátedras são consideradas fontes de empreguismo. Seu detentor usa e abusa, em perene escamoteação, por intermédio de assistentes, quando sabemos que nos países desenvolvidos a formação do corpo docente de uma universidade ou de um departamento científico é feita de equipes homogêneas, tão necessárias para a vitalidade de uma universidade. Então, em vez de continuarmos a repetir os velhos moldes e de criticar os defeitos, procurou-se encontrar uma saída, e dar uma solução a tais problemas. É, pois para isso, que a Universidade de Brasília se apresenta como oportunidade única, capaz de estruturar e solucionar os sistemas universitários brasileiros. É desta universidade que vai partir a reforma de todo nosso sistema educacional. Viu-se que as tentativas cerebinas falharam. Careciam de bases. A pseudo-educação nova fracassou em toda a sua linha. Restam apenas destroços e escombros, verdadeiras taperas que não evocam a menor saudade.
         Mas a Universidade de Brasília vem inaugurar uma nova fase de estudos, vem trazer um novo ciclo de experiências. Não mais se fica no domínio da esperança, olhando a vastidão do espaço, perdendo-se nas curvas dos horizontes.
         A Universidade de Brasília é uma inovação salutar e redentora, que há muito, havia mister se criasse no Brasil. Não resta a menor dúvida que vamos dar ao país a ventura de poderem seus filhos estudar sob nova orientação sadia e produtiva. Porque a Universidade de Brasília está raiando como uma aurora de esperanças e realidades para a vida docente e discente de todos os brasileiros. A audácia de Brasília permitiu todas as audácias e todos os avanços bem urdidos e bem sensatos. Daí a audácia universitária como audácia solucionadora de nossos problemas do ensino e da educação nacionais”.

(Transcrito do jornal A Cruz de 27 de novembro de 1960, na seção Educação e Cultura).

*Nonato Silva, 93 anos, professor, frade, escritor, jornalista, músico, PhD em língua românica, fala dez línguas, nasceu em Barra do Corda (MA), também ajudou a fundar a UnB, mora em Brasília (DF)

(TB21abr2012)