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Matéria 1

 

Artigos
O significado da mudança entre os Lagos e os Sarney
jornal Turma da Barra
 

O TB selecionou três artigos
dos jornalistas Gilberto Lima, Itevaldo Júnior e do político Joaquim Haickel
sobre o significado da mudança no Palácio dos Leões,
quando Jackson Lago, governador cassado pelo TSE,
deixa o poder para a senadora Roseana Sarney.
O que muda,
por quais mudanças o Maranhão vai passar
e quais os efeitos dessa mudança?
Leia abaixo as análises

 



Minha análise
Blog do Gilberto Lima (jornalista e radialista)
(http://gilbertolimajornalista.blogspot.com/)


Mesmo falando em continuar a luta nos tribunais, Lago sabe que a decisão do TSE é irreversível. Roseana é a governadora até 2010. Se quiser, tem condições de se reeleger. Se não, concorre a
uma nova vaga no Senado e libera o posto para o ministro Lobão, candidato da preferência de Sarney ao governo.

A luta da oposição a Sarney sofreu um duro revés, com consequências drásticas para o pleito do próximo ano. Somente os 'balaios' que conseguiram acumular muito dinheiro terão condições de se eleger a alguma coisa. Outros, por questão de sobrevivência política, já devem estar acertando com a base da governadora na Assembléia.

Somente agora, depois do caldo derramado, o governador vem dizer que 'precisamos nos unir, nos amar mais'. O tempo de amar os ex-companheiros de luta já passou. Não amou quando estava no poder, agora pra quê amor? Por conta da ingratidão do governo, a oposição perdeu muitos aliados, inconformados com o tratamento recebido dos empavonados encastelados no poder. A oposição a Sarney, por sua vez, perdeu seu foco e o discurso. O 'anti-sarneisimo' já não colará mais. Essa oposição, que passou tanto tempo culpando Sarney por todas as mazelas, teve a oportunidade de fazer diferente. O que se viu? O descontrole da coisa pública, com auxiliares preocupados em aumentar o seu patrimônio. Quem terá coragem de criticar possíveis atos de corrupção de quem quer que seja, a partir deste momento?

Volto a repetir: o erro de Jackson foi não governar. Foi se deixar governar por Aziz Santos e outros. Deu as costas à muitos aliados, que trilharam caminhos com ele nos momentos mais difíceis da luta para chegar ao poder. Foi, no mínimo, ingrato. Assim como foi ingrato com os professores, policiais e demais servidores públicos. Perdeu o apoio de categorias que tiveram participação direta na eleição dele.

Dificilmente, a partir deste momento, a oposição a Sarney conseguirá mobilizar a sociedade para combater o que se denomina de 'oligarquia'. Roseana volta para tentar reconquistar o tempo e o espaço perdidos. Para isso, conta com auxiliares que vão trabalhar dia e noite para reverter a situação e melhorar a imagem do seu grupo junto à sociedade. Á oposição, resta juntar os cacos e tentar sobreviver em 2010.

Os aliados de Jackson apostam na fidelidade de muitos prefeitos para conseguirem êxito em 2010. No entanto, a maioria, com o pires na mão, já deve estar procurando agendar conversas com a governadora. Essa base vai se evaporar logo, logo.

A cassação do governador feriu de morte, ainda, o projeto político de José Reinaldo. Sem lastro financeiro para campanha, o ex-governador encontrará muitas dificuldades para ser eleito senador. Talvez até desista em favor de Lago, devendo concorrer a uma cadeira na Câmara Federal.

De todo modo, o cenário é sombrio para a oposição a Sarney. Roseana está com a faca e o queijo na mão. Quem quer participar do banquete?

 

Verdade não caduca
Blog de Joaquim Haickel
(http://colunas.imirante.com/joaquimhaickel/)

Semanas atrás escrevi num texto que foi muito comentado em todas as esferas políticas de nosso estado. Disse que até porque acreditava que ninguém fosse me perguntar alguma coisa, iria logo dizendo o que pensava, pois não queria perder a oportunidade de dizê-lo antes de qualquer pessoa que talvez não tivesse nem moral nem legitimidade para tanto, o fizesse, pois pelo menos isso, moral e legitimidade, eu tinha e tenho.

Entre todas as coisas que comentei naquela ocasião, as que me parecem as mais importantes são justamente aquelas que dizem respeito à forma de como deveríamos e deveremos encarar os imensos desafios que neste momento temos pela frente.

Melhor seria que pudéssemos ao mesmo tempo reparar alguns erros cometidos anteriormente, erros esses muito mais políticos que administrativos, e que demonstrássemos que com o tempo, o aprendizado e o amadurecimento havíamos nos tornado mais sábios e mais tolerantes.

Comentei que era necessário que se dissesse que ninguém deveria pensar que esses poucos meses de governo seriam fáceis. Ninguém tem o direito de se enganar ou de tentar enganar outras pessoas, fazendo com que acreditem que em um passe de mágica iremos consertar o desmantelo de um governo que desde o primeiro dia, muito mais que administrar o estado, procurava simplesmente sobreviver ao fato de ter nascido de um pecado ao mesmo tempo original e capital.

Foi nessa incerteza que o ex-governador Jackson Lago montou uma administração anêmica e frágil. Muitas vezes teve que ceder a pressões que nenhum governante deveria nem poderia ser exposto. Foi chantageado, extorquido, enganado. Entre seus assessores, poucos escapam da acusação de traição, pois mais que assessorar ao governo e ao governador, assessoravam a si mesmos e aos seus interesses mais imediatos.

O atual governo de Roseana Sarney terá que ser um governo de reconstrução, de estabilização, de restabelecimento da ordem na administração dos negócios de estado e do estado.

Dizia, que por saber como é difícil essa situação, aconselharia que os puxa-sacos de plantão e que os oportunistas fossem mantidos distantes. Não é hora para se aceitar esse tipo de coisa. Existem coisas importantes a serem feitas e se elas forem feitas, por si só, isso colocará uma pá de cal sobre o recente desastroso passado administrativo e político de nosso estado.

Nosso grupo político tem que dar o exemplo e não se deixar levar pela vaidade nem pelo orgulho, muito menos pelo rancor ou pelo sentimento de revanche. O Maranhão não vai agüentar isso e nosso povo não merece. Devemos assumir o governo de forma protocolar e administrá-lo de forma efetiva, eficiente e eficaz. Que fique claro que não há nem nunca houve, nem nunca haverá em nosso grupo um correspondente aos repugnantes “Novos Balaios”.

Nós políticos, principalmente os com mandato eletivo, temos que participar efetivamente da construção desse novo cenário, mas devemos ter consciência do que deve ser feito e de como deve sê-lo.

Alertei para que ninguém se jogasse numa busca frenética pela indicação de cargos no governo, pois para cada cargo há um perfil correspondente e ele deveria ser minimamente respeitado, pois não vivemos mais o tempo do jabuti trepado. Não há mais espaço para desculpa de enchente ou mão de gente.

Devemos ter consciência de que uma coisa é fazer a política e coisa bem distinta é fazer a administração pública. Quem por acaso for fazer parte da administração direta e executiva do estado tem que ter consciência de que só lhe é possível estar ali e fazê-lo porque há uma estrutura política que o sustentou, que o sustenta e o mantém. Por sua vez, os políticos, de todos os tamanhos e em todos os níveis, têm que ter consciência de seu valor dentro dessa estrutura, mas tem que saber que esse valor não pode colocar em jogo a governabilidade e a estabilidade administrativa do governo.

Disse que gostaria de ver vários de meus colegas políticos, com ou sem mandato, participando da nova administração, mas que queria que partisse deles mesmos e que eles recebam recomendação expressa da Governadora Roseana Sarney, de que o cargo que por ventura venham ocupar, não lhes pertence, mas sim ao povo do Maranhão, do qual nós seremos temporariamente os procuradores. Que tenham consciência de que devem tratar os assuntos administrativos de maneira clara e reta e que os assuntos políticos sejam prioridade, que tenham preferência desde que não conflitem com os administrativos, que estejam de acordo com a legalidade, com a justiça, com a coerência, com o bom senso e principalmente com o interesse público.

Finalizei dizendo que a montagem da base de apoio do governo será uma obra delicada, que demandará muita atenção, dedicação e cuidado, pois existem áreas de conflitos tanto dentro de nosso próprio grupo, quanto em relação aos apoios que com toda certeza virão através de adesões. Aqueles que sempre foram conosco tem que ser tratados com toda deferência e consideração. Quem quiser vir apoiar que venha, mas que fique claro que a contrapartida desse apoio jamais acontecerá à custa do sacrifício de quem sempre foi leal e companheiro.

A política é uma arte, e como tal carece de estudo, técnica, experiência, cuidados como os de um pintor ou de um poeta. O exercício da arte da política aprimora seus artesãos e é nessa condição que devemos encarar nosso oficio.

Tudo isso foi dito mais de um mês atrás, prevendo o cenário de hoje. Acredito que o que disse naquela ocasião continua sendo verdade e verdades como essas são eternas, jamais ficam caducas.

 

O habeas corpus preventivo do anti-sarneismo
Blog do Itevaldo
(http://www.itevaldo.com/)

Antes de chegar ao governo estadual Jackson Lago entabulava: “são 40 anos de atraso dessa oligarquia”. Ao ocupar o Palácio dos Leões, já governador a cantilena sobrevivia: “40 anos de atraso da oligarquia”. Após ser apeado judicialmente do cargo, a lamúria narrativa de Lago persiste: “40 anos de atraso, miséria e pobreza causado por ela oligarquia”.

Há décadas Jackson Lago e seus aliados repetem essa lengalenga. Essa longa e fastidiosa falação é para eles uma espécime de habeas corpus preventivo ao suposto anti-sarneismo. O que os próceres libertadores de si mesmos, do PDT e PSDB querem dizer é: “essa oligarquia pilhou por 40 anos o Maranhão. Mas, nós queremos e podemos fazer o mesmo”.

O anti-sarneismo jackista e de sua trupe é um salvo conduto para deitarem as mãos sobre as burras estatais. Para que se apossassem do que pertencia a outrem (para não dizer o povo). Para saquearem os cofres públicos, por meio de convênios, suplementações orçamentárias e afínicos.

A mente do potentado do PDT e PSDB funciona assim: “Se tiver alguma desconfiança de que podem lhe querer atrás das grades, não se preocupe, você terá todo o direito de entrar com um habeas corpus preventivo”. O salvo conduto para isso é ser anti-sarneista e repetir a lamúria de“40 anos de atraso da oligarquia”.

Os magnatas do PDT E PSDB pilham os cofres estaduais e municipais porque a “oligarquia fez o mesmo em 40 anos”, repetem em coro. Eles são assim. E assim serão.

Na eleições municipais de 2000, a enganosa questão sarneistas e anti-sarneistas não existiu. Pois, o PDT do Jackson Lago e o então PFL, da Roseana uniram-se em abraços e por fim brindaram com champanhe.

Assim como Jackson em 2000, por lá firmaram compadrio e/ou consorciaram-se João Castelo (PSDB), Luiz Rocha - pai do deputado federal Roberto Rocha (PSDB), um dos políticos mais influentes do apeado governo Lago - Epitácio Cafeteira e José Reinaldo Tavares (PSB), todos governaram o Maranhão. Todos tiveram Jackson Lago em suas órbitas.

A cantilena do ‘atraso oligárquico’ que enfeita o queixume cotidiano de Jackson Lago, do PDT e do PSDB tem para além da família Sarney, outros co-autores. Por isso, a governadora Roseana Sarney acerta ao afirmar: “A oposição só tem este discurso. A prática é esta: não fazem nada, roubam e se escondem na capa anti-Saney”.

(TB/21/abr/2009)