Crônica
Mudança de nome
jornal Turma da Barra

*Renilton Barros

            Tenho acompanhado os e-mail, artigos e crônicas sobre a construção da igreja matriz, bem como a iniciativa de homenagear o responsável pela sua construção Frei Adriano de Zânica, em substituição ao nome de Getúlio Vargas, para a conhecida praça do mercado.
            A exemplo desse assunto, temos aqui em Brasília o Parque da Cidade, que foi inaugurado por volta de 1978 com o nome de Rogério Pithon Farias – filho do então governador – que morreu num acidente de carro.
            Uma parte deste parque destinada ao laser das crianças com brinquedos e parques de diversões, é chamado de Parque Ana Lídia, em homenagem a uma menina de 7 anos assassinada em 1973.
            Algum tempo depois foi alterado para Parque da Cidade de Brasília Sarah Kubitschek, em homenagem à esposa de Juscelino Kubitschek, nome que permanece até hoje.
            Como podemos ver, mudança acontecem. É preciso apenas juntarmos elementos que gerem tais mudanças, como: bons argumentos, iniciativa popular e vontade política, o que virá depois disso são apenas consequências.
            Infelizmente as homenagens em nossa cidade bem como em todo o Estado, ocorrem com as pessoas ainda vivas, e que pouco ou quase nada fizeram de grande importância para a cidade ou para o Estado, além de se sujeitarem às implicações legais para tais homenagens.
            Exemplos em nossa cidade dessas homenagens mudanças e/ou alterações: Antigas avenidas, colégios, mercados..., podemos notar que, quando há vontade política envolvida a coisa sai do papel. Indago, porque então não haveria de sair neste caso?
            Não estou aqui desmerecendo o papel desenvolvido por Getúlio Vargas à frente do País, além do mais o mesmo já tem suas homenagens em outras cidades, (ruas, avenidas, institutos, fundações...), que levarão seu nome através dos tempos e das gerações.
            E quanto ao Frei Adriano? O que a cidade pode oferecer para que sua memória não se perca no tempo? Apenas a menção de que foi ele o responsável pela construção da igreja matriz?
            Fiquei surpreso quando soube que tinha uma rua com seu nome, alguém mais tinha conhecimento dessa informação? Onde fica mesmo essa rua? Agora eu sei.
            Temos a nobre atitude de valorizar aqueles que muito contribuiram para a nossa história e cultura, e se assim o fizermos para o que denominamos “prata da casa”, contribuiremos ainda mais para a permanência e eterna lembrança daqueles que plantaram as nossas raizes.
            Registro aqui o meu voto e apoio à esta iniciativa para que seja mudado o nome da Praça Getúlio Vargas, para: Praça Frei Adriano de Zânica.

*Renilton Barros é poeta e cronista, mora em Brasília (DF) 

(TB27jan2012/nº186)

 

Crônica
Comprando dívidas
jornal Turma da Barra

*Renilton Barros

            Fiquei encarregado de levar toda uma família recém chegada do Norte (e assim como no nordeste faz muito calor por lá, e essa informação é importante para esta crônica), para um passeio pela cidade, quando fui informado que eles queriam passar por uma determinada loja para pagar uma conta que já se encontrava vencida.
            Perguntaram-me se eu sabia onde ficava aquela loja, afirmei que sim.
            Pois bem, lá fomos os cinco dentro do carro (Gol) para o passeio e à loja para o acerto da conta vencida.
            Como frisei antes, Norte e Nordeste são conhecidos pelas altas temperaturas, e quem, por aqui se aventura vindo dessas regiões, devem se preparar para enfrentar o frio nesta época do ano.
            Foi o caso dos membros dessa família. Todos estavam falando do frio e as roupas que tinham não eram adequadas para este clima, principalmente na hora de dormir.
            Fomos então à loja. Logo na entrada havia um cartaz que anunciava a promoção de edredons a preços bem acessíveis.
            Depois de pagarem a conta, vi-os mexendo nos edredons onde escolheram apenas dois e lá retornaram para a fila do caixa.
            Enquanto aguardavam na filha, eles conversavam entre si quando um deles saiu da filha e pegou mais um edredom.
            Não demorou muito e lá foram novamente para buscarem mais dois edredons.
            Já contava o total de cinco edredons, quando ao passarem por mim, comentei:
            - Se vier o frio que vocês estão esperando, eu estou “frito”.
            Sorriram, apenas sorriam, e sob o argumento de que poderiam chegar parentes vindos do norte, eles teriam edredons suficientes para aquecê-los também. Sorri.
            Mas não pude deixar de comentar que, apesar do pouco tempo por estas bandas, eles já estavam entrando no ritmo do consumismo desta cidade.
            Entraram, na verdade, para pagarem uma conta e saíram de lá com outra maior ainda.
            Não que, tal compra não fosse necessária para aquecer toda a família e mais alguém que aparecesse, mas por verem que, por aqui, tudo o que se quer ter não é tido apenas como luxo ou até mesmo desnecessário, mais sim, artigos ou itens de primeira necessidade.
            Ao final das compras, disse-lhes:
            - Sejam bem vindos à Brasília, capital da esperança, capital do Brasil, cidade de todos os brasileiros e lugar onde se entra numa loja para pagar uma conta e se saiu dela com outra maior ainda.
            O problema foi colocar os edredons no porta-malas do carro. Couberam todos, porém ficaram mais apertados do que sardinha em lata.
            - Próxima compra, comentei, um carro com um bagageiro maior.
                        Riso geral.

*Renilton Barros é poeta e cronista, mora em Brasília (DF) 

(TB20jan2012/nº185)

Crônica
A chegada do ano novo
jornal Turma da Barra

*Renilton Barros


            Pedrinho tem oito anos e Antonio sete, eles são primos e desde que Pedro tinha quatro anos de idade ele sempre dizia a Antonio que naquele ano veria o ano novo chegar.
            O problema é que antes dos fogos, gritos e saudações tanto Antonio como Pedrinho pegavam no sono e nunca ficavam acordados para ver os festejos.
            No dia seguinte ao ano novo (e isso se repetiu ao longo de três últimos anos), Antonio perguntava a Pedrinho se ele havia visto a chegada do ano novo. A resposta era sempre a mesma: - Não. O sono e o cansaço eram mais fortes e eles não resistiam e dormiam.
            Mas neste ano seria diferente. Pedrinho jurou para Antonio que dessa vez ficaria acordado e veria a tão festejada chegada do ano novo.
            Pois bem, durante todo o dia Pedrinho não brincou, até dormiu um pouco no período da tarde, pra ver se o sono seria menos no período da noite, enfim, planejou tudo direitinho para não ser acometido de sono ou cansaço no momento da tal chegada do ano novo.
            Confidenciou o seu plano para Antonio que também nunca conseguira ficar acordado na passagem de ano, e por isso desejou sorte ao primo.
            Por volta das 21h começaram a chegar os parentes e amigos à casa de Pedrinho, foram se acomodando na sala, nos quartos, cozinha, área de serviço e em qualquer outro lugar que pudessem acomodar gente.
            Havia muitos adultos e poucas crianças, e esse era o problema para Pedrinho, ele até poderia contar com a ajuda de seu primo, mas este, assumidamente, não poderia ajudá-lo neste projeto, pois acabava dormindo cedo.
            À medida que a noite avançava o espaço na casa ia diminuindo cada vez mais, conversa de gente adulta pra lá e pra cá; uns querendo falar mais alto que os outros, e os meninos resumiam-se a ficar sentado no sofá e a maior parte do tempo nos quartos, onde tinha uma cama quente e convidativa para uma boa noite de sono.
            E foi assim que Antonio, mais uma vez, não resistiu e caiu no sono. Pedrinho até tentou mantê-lo acordado mais acabou desistindo quando este começou a chorar porque queria dormir.
            Sozinho e sem ninguém para ajudá-lo na sua missão, saiu do quarto e ficou na sala com os demais presentes.
            De vez enquando o sono vinha ao seu encontro mais este resistia bravamente lembrando-se da promessa que fizera a seu primo de que, naquele ano, veria a chegada do ano novo.
            O relógio da sala marcava os segundo finais para a meia noite quando todos, numa só voz, fizeram a contagem regressiva.
            - Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um, zero.
            Neste momento todos gritavam, abraçavam-se, desejavam feliz ano novo, soltavam fogos e um barulho muito grande tomou conta da casa e da rua e Pedrinho não entedia o motivo de toda aquela algazarra.
            Olhava para todos os lados, para cima, pela porta, pela janela e não conseguia ver muita coisa com tanta gente alta à sua volta.
            Logo o alvoroço deu lugar à quietude e Pedrinho, sem entender muita coisa, dirigiu-se ao seu quarto onde dormia Antonio, e com um ar de decepção, deitou-se e dormiu.
            No dia seguinte Antonio acordou primeiro, dirigiu-se a Pedrinho e ao acordá-lo perguntou se ele havia visto a chegada do ano novo.
            Ao que Pedrinho respondeu:
            - Não vi não. Ele deve ter passado muito rápido, pois na hora “H” todos ficaram em pé, gritaram, se abraçaram, soltaram fogos e eu não vi nada. Mas no final deste ano eu vou ficar do lado de fora da casa e assim poderei ver a tal chegada do ano novo.
            Tenhamos um excelente ano novo.

*Renilton Barros é poeta e cronista, mora em Brasília (DF) 

(TB13jan2012/nº184)

Crônica
O Brasil e a partícula de Deus
jornal Turma da Barra

*Renilton Barros

            A ciência, e não é de hoje, tenta a todo custo provar por A + B que tudo o que conhecemos teve um princípio pela teoria evolucionista e não criacionista.
            Volta e meia este assunto vem à tona para questionar dogmas da igreja sobre a origem de tudo o que conhecemos.
            Falam de partículas de átomos (conhecida também como a partícula de Deus) que, quando aceleradas, tornam-se matéria, surgindo, daí a origem do universo e de todas as formas que conhecemos.
            Mas à medida que adentram neste assunto e nos trazem as “novidades”, mas me convenço de que o universo é um círculo sem fim, pois definir sua existência e como definir ou tentar explicar a existência do próprio Deus (para aqueles que acreditam).
            Mas o que tem haver esse assunto e o Brasil?
            Em meio à crise financeira mundial, onde vemos a zona (literal ou não) do Euro, países considerados de primeiro mundo que estão sucumbindo nas próprias contas e pedindo ajuda a Deus e a quem interessar possa..., enquanto isso os políticos daqui fazendo farra com o dinheiro público.
            Parece-me que estão alheios aos problemas financeiros mundiais, ou que os tsunamis econômicos de lá, só chegarão por aqui em forma de “marolinhas”.
            Países classificados como triplo A (conceito mais alto para medir a confiança nos investimentos), e que agora estão caindo nessa classificação; e os governantes aqui no Brasil achando que estão nos país das maravilhas (e o pior é que estão mesmo).
            Presidente que vê os desvios de verbas em seus ministérios e nada faz para conter tal “hemorragia”; governadores que compactuam com a roubalheira instalada no sistema político; prefeitos que se tornam chefes de verdadeiras quadrilhas nas câmaras municipais; vereadores, deputados (estaduais e federais) que são eleitos para fiscalizarem governadores e presidente, mas a preocupação maior e aumentar os próprios salários; senadores..., sem comentários.
            Em meios às trevas ou ao caos político que pairam sobre este país, não dá pra acreditar que os nossos governantes estejam cegos para não verem os “buracos negros” que sugam a economia mundial; as supernovas que explodem velhas economias...
            Vemos nesse contexto a evolução do universo, digo, a degeneração política e financeira do nosso planeta.
            Se a Europa for acometida por essa explosão mundial financeira, a chanceler alemã já firmou que levarão muitos anos para colocar ordem nas contas por aquelas bandas, e se isso acontecer no Brasil?
            Não sei se os cientistas descobrirão algum dia a tal partícula de Deus, mas uma coisa eu sei, precisamos dessa partícula para clarear o Brasil das trevas da ignorância, da asneira e da indigência.

*Renilton Barros é poeta e cronista, mora em Brasília (DF) 

(TB17dez2011/nº183)

Crônica
Temos o Maranhão
que merecemos?

jornal Turma da Barra

*Renilton Barros

            Ao vermos a divulgação dos dados do último Censo do IBGE, observamos que, após as sucessivas alternâncias de governo à frente do Brasil, pouca coisa mudou.
            Números e dados negativos, informações mascaradas ou camufladas dos governos estaduais e federal, se revelam no censo e mostram o estado precário em que se encontra o Brasil.
             Somos um país muito rico, isso é fato. Assistimos diariamente aos assaltos e roubos aos cofres públicos e o Brasil ainda se mantém “estável” economicamente (mas até quando?)
            O censo revelou a triste realidade vivida por muitos, muitos brasileiros que sabem o que é sofre a desigualdade social, mas não sabem a definição de tal discrepância.
            Grande parte da população que trabalha os doze meses do ano para ganharem o salário mensal daqueles com condições financeiras mais elevadas. Esse é nosso panorama geral de distribuição de renda.
            Temos um PIB que, para os padrões de países em desenvolvimentos, podemos considerá-lo bom, porém essa riqueza é mal distribuída.
            São poucos que ganham muito, e muitos que ganham pouco. Característica do sistema capitalista? E talvez sejam essas as condições em que o socialismo por si só se explica?
            O censo mostra também os números na área da educação. Somos quase 14 milhões de brasileiros analfabetos, isso representa mais ou menos 10% do total da população brasileira.
             E os estados que lideram esse ranking são: Alagoas (23%), e em 2º lugar o nosso Maranhão (20%).
            Como afirmamos no início desta, o censo desmascara os números falseados nos discursos falaciosos dos políticos, e trás à tona a inabilidade destes governantes de não cumprirem as promessas feitas na época das campanhas.
            E como bons maranhenses que somos, e triste vermos o nosso Estado ocupando os primeiros lugares no cenário nacional, no quesito - coisas ruins.
            E essa não é a primeira vez que despontamos como exemplo negativo. Até parece que somos o “patinho-feio” da história brasileira. Tudo o que é ruim, lá estar o Maranhão ocupando os primeiros lugares.
            Governado por quase meio século pela mesma família, até hoje esperamos pelo tal progresso, o tão sonhado, falado, desejado, prometido desenvolvimento social e financeiro, mas não temos nada.
            Vivemos a utopia de que o amanhã será melhor. Vivemos de promessas, mas será que ainda tem gente que acredita em tais falácias? Como eles são eleitos, a resposta é sim.
            Não sei se todos já viram o vídeo - Maranhão 66, no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=t0JJPFruhAA), mas recomendo passarem por este link, e vejam as “grandes” mudanças desde a posse do então governador, e a realidade hoje do nosso Estado.
            Sarney estar no poder desde a década de 60, e o seu histórico político não é nada bom, por isso, ele contratou uma agência para “limpar” seu nome, “melhorar” sua imagem ante a opinião pública.
            Mas o que me motivou em trazer essa informação aqui, é que a conta será custeada pelo Senado Federal, ou seja, por nós contribuintes, notícia nada agradável para começarmos bem o nosso fim de semana.

*Renilton Barros é poeta e cronista, mora em Brasília (DF) 

(TB25nov2011/nº181)

Crônica
Barra do Corda quer mudar?
jornal Turma da Barra

*Renilton Barros


            Barra do Corda espera por mudanças. Mudanças? Onde? Em que áreas? Como numa espécie de discurso pré-elaborado e usado por muitos políticos em época de eleição: nas áreas de “educação, saúde, segurança” e tantas outras áreas conhecidas por todos nós, que carecem, não apenas de promessas, mas de ação.
            Não, pelos últimos anos apresentados nós não queremos mudança, ou pelo menos não estamos preparados para tais. Gostamos de ver escândalos ao vivo e em cores (bem melhor do que os Big Brothers da vida), por isso elegemos as mesmas figurinhas carimbadas de sempre.
            A julgar pelos resultados das últimas eleições, entendo que nossa cidade não estar preparada para tais mudanças, pois o resultado, eleição após eleição, é sempre o mesmo. Nem tenho preferência por este ou aquele candidato, vejo apenas que o contexto sócio-econômico da cidade cresce a passos lentos de um jabuti (e de muleta pra piorar a situação), onde os governantes agem como que distribuindo “migalhas” no tão sonhado progresso para a cidade.
            E nessa cadência o tempo passa.
            Boas ideias até surgem emergindo dos anseios da população: o grande “sonho” de uma universidade; melhoria nos serviços públicos; água para todos; emprego, valorização da nossa cultura, erradicação da pobreza e do analfabetismo... Mas quando vemos o resultado da tal “festa da democracia”, fico a indagar: cadê essa tal mudança?
            Definitivamente, a maioria dos eleitores ainda condiciona seus votos em troca de dentaduras e cibalenas usadas, iludem-se com as supostas promessas de favores individuais em detrimento aos da coletividade.
            Até quando? Quais nomes surgirão para oferecer uma nova opção, uma nova esperança para nossa cidade?
            Cito aqui as palavras do líder espiritual da LBV José de Paiva Neto: “Quando os justos se calam, os ímpios fazem por merecer a vitória” E a realidade de Barra do Corda não estar longe disso. Estamos sempre bem informados sobre aquilo que é notícia na Cidade. Escrevemos artigos, crônicas, participamos com recados (contra ou a favor), e o fazemos para fazer soar nossa voz e produzir resultados para mudar o nosso quadro social.
            Mas mudando totalmente de assunto... E essa crise no oriente médio para a democratização dos governos ditatórios e monárquicos, será o prenúncio para o fim dos tempos?
            A julgar pelo que estar acontecendo apenas no nosso país, a corrupção praticada à luz do dia (sim, porque antes, era tudo por debaixo dos panos), todo mundo sabia que existia, mas quase ninguém via. Hoje o negócio ficou escancarado e sem a preocupação se todos estão vendo ou não.
            Diante disso fico a indagar se isso deve ser algum presságio para que, no Brasil e em Barra do Corda, algo tem de ser feito, sob pena de estarmos caminhando para o nosso próprio fim.

*Renilton Barros é poeta e cronista, mora em Brasília

(TB25fev2011/nº148)