Artigo

Por que derrubar?
jornal Turma da Barra


*Robert Meneses


            Acompanho os debates acerca da possível derrubada da mangueira da Tresidela. Observo que a participação de conterrâneos e de simpatizantes em defesa da árvore tem sido expressiva. Até mesmo um dos representantes do Ministério Público em Barra do Corda, motivado pelo tema, pela primeira vez se manifestou por meio deste órgão de comunicação da comunidade barra-cordense, que é o Turma da Barra. Mas confesso que, depois de ler todos os e-mails e artigos publicados, ainda não consegui entender a motivação para a ameaça à vida da mangueira.
            Pelo que observei a prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema. Nenhum representante do Executivo local veio a público esclarecer a verdadeira finalidade da possível derrubada da mangueira. No momento, o que há são apenas boatos que circulam entre a população.
            O primeiro é que a destruição da mangueira teria motivação política. Comenta-se que, sob sua frondosa copa, que proporciona uma grande sombra, aos finais de tarde pessoas com pensamento político divergente do dirigente municipal debatem tranquilamente a vida política local. Assim, o corte da árvore acabaria com esse ponto de encontro de subversivos, vistos como um grande problema para o prefeito.
            O segundo é que a motivação seria o bem público. Fala-se que ali será construída uma praça pública que proporcionará melhor qualidade de vida para a comunidade, especialmente para pessoas que residem nas proximidades do local. Ora, se é assim, por que não conservar a árvore como forma de embelezamento da praça?
            O terceiro é que a motivação teria fundo empresarial. Isso mesmo, pois mediante o uso de dinheiro público seriam construídos estacionamentos para um futuro empreendimento comercial privado a ser erguido em frente à mangueira. As casas ali construídas, inclusive, já estariam sendo compradas por um megaempresário local com esse fim. Um verdadeiro desvio de finalidade do ato administrativo, como muitos que já ocorrerem em nossa cidade e que não tiveram qualquer sanção.
            A população aguarda ansiosamente a resposta oficial da prefeitura municipal, que certamente esclarecerá esta grande dúvida e calará, ou não, a boca dos boateiros. Sem resposta persistirão as dúvidas.

*Robert Meneses é professor de Direito, Delegado de Polícia, mora em Brasília

Nota da Redação: Este artigo do Robert Meneses foi recebido pelo TB antes do corte da Mangueira.

(TB/14mar/2010)

 

 

Artigo

O TB e o seu valor
em minha vida

jornal Turma da Barra


*Robert Meneses


            Vinte anos se passaram desde a publicação da primeira edição do Turma da Barra. Vinte anos se passaram e o TB, rotineiramente, dá publicidade a notícias do cotidiano barra-cordense. Vinte anos se passaram e as mazelas de nossa cidade são as mesmas, algumas mais graves.
            Conheci o Turma da Barra ainda quando residia em Barra do Corda, no final do ano de 1989. Ao vir morar em Brasília, em 1990, o TB era a maior fonte de informações de nossa cidade. Naquela época, ligações telefônicas interurbanas eram caras, quanto mais para quem estava desempregado, o que impedia contatos frequentes com parentes. O TB amenizava a saudade da terra querida ao noticiar fatos de toda ordem, cultural, política, esportiva, etc. Enfim, o TB representava proximidade com Barra do Corda, fazendo parecer curta a longa distância entre as duas cidades.
            Por meio do TB e de toda a sua equipe de colaboradores, nós, barra-cordenses, acompanhamos a evolução histórica de Barra do Corda. Mas, passados vinte anos, nos decepcionamos com a involução da mentalidade da classe política de nossa terra.
            Por meio do TB e de toda a sua equipe de colaboradores, nós, barra-cordenses, acompanhamos o surgimento de novas e promissoras gerações. Mas, passados vinte anos, nos decepcionamos com o descaso público quanto a escolas, professores e alunos.
            Por meio do TB e de toda a sua equipe de colaboradores, nós, barra-cordenses, acompanhamos o crescimento populacional de Barra do Corda. Mas, passados vinte anos, nos decepcionamos com o aumento assustador da criminalidade e do desemprego, bem como com a inexistência de políticas públicas que visem a conter o problema.
            Por meio do TB e de toda a sua equipe de colaboradores, nós, barra-cordenses, acompanhamos o crescimento da maior festa popular em nossa cidade, o carnaval. Mas, passados vinte anos, nos decepcionamos com a conotação política que tomou conta dos quatro dias de folia.
            Por meio do TB e de toda a sua equipe de colaboradores, nós, barra-cordenses, acompanhamos sucessivas alternâncias no poder municipal. Mas, passados vinte anos, nos decepcionamos com a falta de compromisso público de governantes, mais preocupados em satisfazer desejos pessoais, especialmente de cunho financeiro-econômico, do que trabalhar em benefício da comunidade.
            Por meio do TB e de toda a sua equipe de colaboradores, nós, barra-cordenses, acompanhamos a publicação de inúmeros artigos e colunas que versaram exaustivamente acerca de todos esses temas, mas nos decepcionamos com o pouco efeito por eles produzido em nossa cidade.
            Por meio do TB, gostaria de agradecer e parabenizar a toda a sua equipe de colaboradores, em especial o editor Heider Moraes, por ceder espaço, durante esses vinte anos, a todos os barra-cordenses que desejam manifestar suas opiniões por meio deste jornal, o que sempre ocorreu de forma livre de qualquer censura.
            Parabéns TB.

*Robert Meneses é professor de Direito, Delegado de Polícia, mora em Brasília

(TB/30/jul/2009)

 

Artigo

Faltou combustível aos nossos políticos?
jornal Turma da Barra


*Robert Meneses


           
A polêmica gerada pela não instalação de um campus da UFMA em Barra do Corda é tema que ensejou diversos artigos publicados no Turma da Barra. Não pretendo analisar os prejuízos que nossa cidade sofrerá em decorrência dessa preterição, o que já foi exaustivamente comentado por colegas articulistas. Prefiro ater-me, em uma visão pessoal, às causas que motivaram tamanha perda.
            Como tudo o que ocorre no Maranhão no aspecto público, é de cunho exclusivamente político a escolha de cidades contempladas com extensões universitárias. Critérios como influência e desenvolvimento regionais, número de estudantes concluintes do ensino médio e rede hoteleira apta a receber os futuros estudantes, decisivos para uma apreciação técnica, foram deixados de fora na hora da definição dos municípios beneficiados pela instalação de dois campi.
            Barra do Corda preenche e supera todas as demais cidades da região central maranhense nesses quesitos. Aí cabe a pergunta: o que motivou, ou desmotivou, nossos representantes municipais e estaduais a cochilarem e não brigarem por um campus em Barra do Corda?
            Até o momento, nenhum deles se manifestou sobre o assunto. Talvez porque não seja um tema de interesse dos políticos barra-cordenses. Talvez porque lhes tenha faltado combustível para acompanhar as ingerências políticas de representantes de outras cidades, em especial de Pedreiras e Grajaú, beneficiadas com a instalação de extensões universitárias.
            O combustível que move a grande maioria dos políticos é o voto, ou o dinheiro, não necessariamente nessa ordem. Muitos são total flex e funcionam impulsionados pelas duas coisas. É aí que se torna mais obscura e inexplicável a total letargia de nossos políticos. Barra do Corda possui as duas matérias-primas: eleitorado e PIB superiores aos de Pedreiras e Grajaú. Então, o que faltou?
            Nenhuma explicação veio a público. Houve total descaso com assunto de extrema relevância. A população, mais uma vez, ficou desamparada e alheia a essa discussão. Mas não tem importância, a grande massa já conta os dias para o próximo carnaval. Afinal, nesse item somos imbatíveis.
            Não tenho as respostas para as indagações formuladas. Vereadores, prefeito e, em especial, os deputados estaduais barra-cordenses poderão esclarecer essas dúvidas aos leitores.

*Robert Meneses é professor de Direito, Delegado de Polícia, mora em Brasília

(TB/8/abr/2009)

 

 

Artigo

Barra do Corda sitiada
jornal Turma da Barra


*Robert Meneses


            Os dois últimos assaltos ocorridos no interior da Terra Indígena Canabrava, praticados em um curto espaço de tempo, são indicativos de que a segurança dos condutores e passageiros de veículos que passam pelo local está fora de controle e ao arbítrio da sorte. Chegar a Barra do Corda, ou dela sair, tornou-se uma aventura, ou melhor, uma desventura.
            Os índios Guajajaras, que antes se contentavam em roubar pertences de vítimas, agora também estupram. Isso demonstra estarem eles assimilando métodos cruéis para execução de crimes daqueles que se denominam brancos e civilizados.
            Houve época em que a estrada esburacada era o grande desafio para chegar a Barra do Corda. Hoje, é a insegurança. O medo. A violência.
            Engana-se quem imagina que apenas os passageiros de ônibus são as vítimas em potencial. Ocupantes de veículos pequenos são as novas vítimas desses criminosos, que agora agem durante o dia, confiantes na impunidade de seus crimes.
            Mas cabe alertar. Assim como os brancos, apenas uma pequena parcela de índios descambou para a criminalidade. Não é sensato apontar todos os índios Guajajaras como bandidos. Um pequeno grupo deles, autores de crimes no interior da Terra Indígena Canabrava, são os únicos responsáveis por esses fatos.
            Pelo que já foi apurado, especialmente por meio de relatos de vítimas, alguns indivíduos brancos teriam participação nos crimes, como mentores ou comparsas.
            É sabido que alguns indivíduos não-índios, com extensa ficha criminal, moram nas aldeias Guajajaras. Por meio de casamento, amizade ou troca de favores, esses não-índios integram as comunidades indígenas e ali encontram um porto seguro para praticar crimes, pois não são incomodados pelas autoridades.
            Enquanto pela margem de Grajaú há essa insegurança, pelo lado de Presidente Dutra não é diferente. Assaltos a ônibus e veículos pequenos são comuns, especialmente em períodos festivos como o carnaval. Um novo trecho, entre Peritoró e Dom Pedro, também vem sofrendo com assaltos. Nesses locais, os autores de crimes são brancos.
            Portanto, quem deseja chegar a Barra do Corda deve tomar bastante cuidado. Seja pelo Norte ou pelo Sul, os perigos existem, e são reais.
            Se não houver imediata e efetiva repressão pelas autoridades federais e estaduais, é provável que Barra do Corda fique sitiada por bandidos. Aí, quem quiser visitá-la, deve estar ciente dos riscos existentes, que são grandes.

*Robert Meneses é professor de Direito, Delegado de Polícia, mora em Brasília

(TB/8/jan/2009)